Pesquisas científicas revelam como o uso da Cannabis impacta na qualidade de vida de pessoas idosas.


Sumário

  1. O panorama do uso de Cannabis por pessoas idosas
  2. Por que a Cannabis funciona para pessoas idosas?
  3. O que a ciência revela sobre a ação da cannabis em pessoas idosas?
  4. A demanda de pacientes idosos aumenta
  5. Avanços das pesquisas e combate ao proibicionismo

A terceira idade, seja talvez a fase que a pessoa mais se beneficia do uso da Cannabis.

Afinal, como afirma o neurocientista e pesquisador, Sidarta Ribeiro, em uma entrevista à Band News, enquanto as pessoas jovens devem evitar o uso da cannabis para não terem prejuízos futuros, as pessoas mais idosas podem se dar ao luxo de fazer o consumo da planta, pois terão mais benefícios.

Mas o que explica essa ambiguidade, já que o uso da Cannabis é diretamente associado ao público mais jovem e adulto?

Pensando em explicar esse panorama, esse artigo vai explorar o uso de Cannabis por pessoas idosas, especialmente o que as pesquisas científicas indicam como benefícios ou limitações.

O panorama do uso de Cannabis por pessoas idosas

“Se olharmos em termos populacionais, jovens que fazem o uso precoce e abusivo de maconha tendem a ter uma síndrome amotivacional, ou seja, apatia.

Por isso, faz todo sentido dizer ao jovem para não consumir maconha. Assim como faz sentido não incentivar o consumo de álcool.

Mas não é justificando que a maconha mata neurônios, ao contrário, ela produz novos neurônios e conexões, e o jovem está produzindo muitas conexões neurais.

Não há necessidade de estímulo, pois o excesso dessas sinapses pode atrapalhar. Já a situação da pessoa adulta ou idosa, que já tem um amplo repertório de memórias e de conexões, o uso da cannabis acaba induzindo a criatividade, por exemplo. Além de trazer muitos outros benefícios”, explica Sidarta.

É fato que o uso medicinal da cannabis tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente entre os idosos.

Pesquisas recentes sugerem que os compostos ativos da planta, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol), podem oferecer alívio eficaz para diversas condições de saúde que afetam pessoas da terceira idade, desde dores crônicas até problemas de sono e ansiedade. 

Com o envelhecimento da população mundial, a terapia cannabica surge como uma alternativa viável para melhorar a qualidade de vida dessa faixa etária, especialmente em países onde o uso medicinal já é regulamentado, como o Brasil.

Por que a Cannabis funciona para pessoas idosas?

As propriedades terapêuticas da Cannabis ajudam em muitas condições que são bastante comuns nas pessoas idosas, como por exemplo:

Isso acontece, pois os compostos químicos da planta são responsáveis por ativar o Sistema Endocanabinoide, o sistema que modula todas as funções do organismo, melhorando o metabolismo como um todo.

O corpo humano produz moléculas chamadas de endocanabinoides, que ativam naturalmente o Sistema Endocanabinoide.

Entretanto, com o envelhecimento vai ocorrendo uma diminuição dessa produção. Por isso, ao usar os canabinoides da planta, ocorre a ativação desse sistema e como consequência, há uma melhora na qualidade de vida da pessoa. 

Nos idosos, os canabinóides ajudam a regular os processos fisiológicos e metabólicos daquele paciente, ajudando a equilibrar melhor o organismo através da interação com o esse sistema de controle e equilíbrio, porém de forma natural e bastante segura”, pontua Stéphanie Santana, enfermeira especializada em terapia cannabica e membro fiscal da Sobeca (Sociedade Brasileira de Enfermagem Cannabica).

O que a ciência revela sobre a ação da Cannabis em pessoas idosas?

Existe uma estreita relação entre o avanço da idade e o desequilíbrio no Sistema Endocanabinoide, que pode facilitar o aparecimento e progressão de diversas patologias. 

Nesse sentido, o uso medicinal da Cannabis na terceira idade pode trazer resultados promissores na prevenção e no controle de diversas enfermidades

Uma pesquisa conduzida por Ethan Russos revela que quando a pessoa apresenta baixo nível de produção de endocanabinoides, há maior chance dela desenvolver doenças inflamatórias e do Sistema Nervoso Central, como enxaqueca, fibromialgia e síndrome do intestino irritável.

Os quadros de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer,  estão entre os mais afetados positivamente pelo uso da cannabis.

A demência de Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum no mundo e a principal causa de dependência funcional, institucionalização e morte de idosos no Brasil. 

A Cannabis apresenta potenciais no combate aos sintomas da doença como melhora do bem-estar e da qualidade de vida dos pacientes e seus cuidadores, em quadros de agitação psicomotora, redução do apetite e transtornos do sono. 

“Este estudo pré clínico publicado em 2014 no Journal of Alzheimer’s Disease analisou os efeitos terapêuticos do THC na doença. Os resultados mostraram que esse fitocanabinoide ajudou a retardar a deposição das placas beta-amiloides – aglomerados de proteínas que se acumulam no cérebro indicando o início e progressão da doença de Alzheimer”, trecho publicado na revista WeCann Academy. 

No caso da doença de Parkinson, uma outra doença relacionada à neuroinflamação e estresse oxidativo, que induz à morte de redes neuronais específicas, uma pesquisa alemã mostrou que pacientes que usaram cannabis relataram redução dor e das cãibras musculares, além de melhora em relação à rigidez, tremores, depressão e ansiedade. Essa é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo.

A demanda de pacientes idosos aumenta

Nos últimos cinco anos a demanda de pacientes idosos a procura pelo tratamento à base de cannabis cresceu muito, pois eles encontram uma resposta muito boa com o uso da planta e acabam inspirando outras pessoas. Muitos estão cansados e frustrados com o uso da medicação convencional e seus efeitos colaterais. Ao dar início ao tratamento com os produtos certos, doses assertivas e acompanhamento terapêutico, os resultados aparecem, e o fato de ser um fitoterápico com baixo efeito colateral, eles ficam animados em seguir com a cannabis”, relata Stéphanie Santana, enfermeira cannabica.

Embora os benefícios sejam promissores, o uso medicinal da cannabis entre idosos deve ser acompanhado por profissionais de saúde qualificados, para evitar interações medicamentosas ou efeitos colaterais indesejados. 

A dosagem, a forma de consumo (óleo, cápsulas, cremes) e o equilíbrio entre CBD e THC precisam ser cuidadosamente ajustados para atender às necessidades individuais de cada paciente.

Avanços das pesquisas e combate ao proibicionismo

O uso de cannabis medicinal para a terceira idade está se consolidando como uma opção promissora e com menor risco de efeitos colaterais em comparação a muitos medicamentos tradicionalmente, como os opióides e os benzodiazepínicos. 

Por isso, ao invés de marginalizar a planta, é necessário investir em pesquisas e políticas públicas que garantam o acesso ao uso medicinal da cannabis para pessoas que poderiam se beneficiar, especialmente idosos.

A ciência já oferece dados robustos sobre os efeitos terapêuticos da planta e é fundamental que o sistema de saúde brasileiro acompanhe essa evolução, permitindo que os idosos tenham acesso a tratamentos menos agressivos e mais naturais.

O debate sobre cannabis deve ser feito com base na ciência e não no medo, promovendo o bem-estar e a qualidade de vida para uma população que frequentemente sofre com dores, insônia e outras condições que afetam gravemente sua saúde.