O que as pesquisas científicas demonstram sobre os efeitos antitumorais dos canabinoides em casos de câncer de mama e os benefícios para alívio dos sintomas da quimioterapia.


Sumário

  1. Medidas preventivas do câncer de mama
  2. Sinais e sintomas do câncer de mama
  3. Câncer de mama: tratamento convencional X tratamento com cannabis
  4. A ação antitumoral da cannabis
  5. Cannabis como alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida
  6. Cannabis medicinal: uma opção complementar

O câncer de mama é um dos tipos mais comuns e mortais de câncer entre mulheres em todo o mundo. Por isso, o mês de outubro, chamado de outubro rosa, é dedicado para a conscientização sobre essa doença, as formas de prevenção e tratamento.

Somente no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), foram estimados 70 mil casos novos de câncer de mama em 2023. Ou seja, cerca de 66 casos a cada 100 mil mulheres.

Esse tipo de câncer também ocupa a primeira posição em mortalidade entre as mulheres. As maiores taxas de incidência estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Medidas preventivas do câncer de mama

O INCA indica que a prevenção do câncer de mama baseia-se no controle dos fatores de risco modificáveis e na promoção de fatores de proteção.

Por isso, a adoção de algumas mudanças de hábitos podem ajudar a reduzir o risco da mulher desenvolver câncer de mama:

  • Praticar atividade física
  • Manter o peso corporal adequado
  • Adotar uma alimentação mais saudável  
  • Evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcóolicas
  • Evitar o vício do tabagismo

Existe o aspecto hereditário, mas não é determinante. Ou seja, ter mulheres com câncer de mama na família não significa que as gerações seguintes estão comprometidas em desenvolver a doença.

Por isso, a adoção de novos hábitos de vida é sempre uma boa escolha:

Por meio da alimentação, nutrição, atividade física e gordura corporal adequados é possível reduzir o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Como medidas que podem contribuir para a prevenção primária da doença, estimula-se, portanto, praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação mais saudável e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcóolicas. Amamentar é também um fator protetor”, conforme matéria publicada na página do INCA.

Em casos mais avançados da doença, a paciente passa pela cirurgia de redução das mamas e se possuir metástases (quando ela se espalha para outros órgãos), indica-se o tratamento para prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Sinais e sintomas do câncer de mama

Entre os sinais e sintomas que podem indicar o câncer de mama, estão:

  • Retrações de pele e do mamilo;
  • Saída de secreção aquosa ou sanguinolenta pelo mamilo;
  • Vermelhidão da pele da mama;
  • Pequenos nódulos palpáveis nas axilas e/ou pescoço;
  • Inchaços pelas mamas;
  • Dores na mama ou mamilo.

Câncer de mama: tratamento convencional X tratamento com cannabis

Os exames de rotina, como mamografia e o de toque, são essenciais para a saúde da mulher. Afinal de contas, se o câncer é detectado na fase inicial, as chances de cura são superiores a 90%. 

A quimioterapia acaba sendo indicada para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia ou para matar as células cancerígenas que sobraram depois da cirurgia. 

Porém, o que muito impacta a qualidade de vida da mulher em tratamento de câncer são efeitos colaterais decorrentes da quimioterapia e da radioterapia.

Por isso, a busca por tratamentos complementares como forma de amenizar os sintomas, tem crescido

Nos últimos anos, a cannabis tem ganhado destaque como uma potencial ferramenta no tratamento do câncer de mama, especialmente após a publicação de estudos científicos que sugerem benefícios terapêuticos de seus compostos ativos, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC).

A ação antitumoral da cannabis

Pesquisas indicam que compostos presentes na planta de cannabis, os chamados canabinoides, podem atuar diretamente nas células cancerígenas.

Uma das formas de atuação mais promissoras desses compostos é a capacidade de induzir a apoptose, um processo de autodestruição celular, que pode ajudar a eliminar células cancerosas sem danificar células saudáveis. 

Além disso, estudos mostram que o THC e o CBD podem inibir a proliferação de células tumorais, desacelerando a progressão da doença.

Uma pesquisa publicada em 2020 no Journal of clinical oncology revelou que das 725 mulheres em estudo, 42% utilizaram a cannabis como terapia complementar para combater os efeitos colaterais da quimioterapia, como: dores, náuseas, inapetência – e aliviar aqueles sintomas decorrentes da doença em si, como ansiedade (57%), estresse (51%) e insônia (70%). 

Um estudo pré clínico demonstrou que o THC pode reduzir significativamente o crescimento de tumores de mama em modelos animais.

Os pesquisadores observaram que o composto se liga aos receptores canabinóides das células cancerígenas, interferindo em sua capacidade de se dividir e proliferar.

Este trabalho comparou a eficácia antitumoral do THC puro com a de um extrato completo da planta predominante em THC. O  extrato completo da planta predominante em THC foi mais potente que o THC puro na produção de respostas antitumorais em culturas celulares e modelos animais de câncer de mama ER+/PR+, HER2+ e triplo-negativo”, conforme relata divulgação científica publicada na página Wecann Academy. 

Além do efeito sobre o crescimento tumoral, outro estudo, publicado no Breast Cancer Research and Treatment, sugeriu que o CBD poderia ajudar a prevenir a metástase, um processo crítico no avanço do câncer para outras áreas do corpo, pois inibe uma proteína chamada Id-1, que está associada à disseminação das células cancerígenas.

Uma revisão integrativa da literatura realizada a partir da base de dados do PubMed com levantamento de 18 artigos revelou que “in vitro o CBD apresenta importantes efeitos apoptóticos em células neoplásicas malignas mamárias com receptores e vias bem definidas. Portanto, vê-se uma janela de oportunidade e de necessidade para o fomento de mais pesquisas a fim de descobrir a extensão dos benefícios do uso de tal técnica no tratamento do câncer de mama, bem como de seus efeitos colaterais”.

Cannabis como alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida

Além dos efeitos potenciais sobre o tumor em si, a cannabis também tem sido amplamente reconhecida por ajudar a amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia. 

Isso acontece , pois os compostos químicos da cannabis atuam ativando o Sistema Endocanabinóide, presente em todo o organismo humano e responsável por modular todos os outros sistemas biológicos. 

Por isso, os pacientes em quimioterapia frequentemente relatam que os produtos à base de cannabis são eficazes no alívio dos sintomas, como:

O uso de cannabis, nesse contexto, pode ajudar a reduzir a dependência de opióides, medicamentos altamente potentes, mas com riscos significativos de dependência e efeitos colaterais graves.

Cannabis medicinal: uma opção complementar

Embora os resultados sejam promissores, especialistas alertam que a cannabis não deve ser vista como uma cura definitiva para o câncer de mama.

3No entanto, ela pode ser uma terapia complementar importante, atuando junto com tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e terapias hormonais. 

Alguns oncologistas já começam a prescrever derivados de cannabis a pacientes, mas reforçam que o uso deve ser acompanhado de perto por um médico especializado.

Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda há desafios a serem superados. A cannabis continua sendo uma substância de uso controlado em muitos países, incluindo o Brasil, o que dificulta o acesso legal para pacientes e o desenvolvimento de mais estudos clínicos de larga escala. 

Estudos clínicos mais amplos e aprofundados estão em andamento para determinar as doses ideais, formas de administração e potenciais interações da cannabis com outras terapias.

Conforme a legislação sobre o uso medicinal da cannabis avança, espera-se que mais pacientes possam se beneficiar desses tratamentos.

Embora mais estudos sejam necessários para consolidar seu uso na prática clínica, as evidências atuais sugerem que o uso de cannabis, quando monitorado e administrado adequadamente, pode ser uma ferramenta poderosa no combate ao câncer, contribuindo para uma melhora significativa na qualidade de vida das pacientes.

Com o avanço das pesquisas e a maior aceitação pela comunidade médica, o futuro do tratamento do câncer de mama pode ser revolucionado por essa planta milenar.