O uso dos canabinoides, como o Canabidiol (CBD) e o Tetrahidrocanabinol (THC), cresceram nos últimos ano e ganharam popularidade pelo crescente reconhecimento dos benefícios terapêuticos.

Como qualquer medicamento, os canabinoides podem interagir com outras substâncias, potencializando ou diminuindo seus efeitos. Isso é o que chamamos de interação medicamentosa.

Com o avanço da ciência e a popularização da planta, surgem perguntas importantes. Como o uso medicinal da Cannabis interage com outros tratamentos, especialmente em condições como depressão, autismo, endometriose ou dor crônica

Entender essas interações é essencial para garantir um tratamento seguro e eficaz. Por isso, o objetivo desse artigo é explorar as principais relações entre remédios e Cannabis, especialmente quais são seus principais riscos. Vamos explicar isso de forma simples e clara.

O que é interação medicamentosa?

A interação medicamentosa é quando o medicamento interage com outras substâncias no nosso organismo. 

Essas substâncias podem ser outros medicamentos, bebidas e até mesmo alimentos.

Isso pode causar uma ação diferente no corpo, seja aumentando sua absorção, diminuindo ou alterando seus efeitos.

Essas mudanças podem resultar em efeitos adversos, como dores de cabeça, desconforto estomacal, tontura, taquicardia e outros problemas de saúde.

Um exemplo de interação medicamentosa é a ingestão de bebidas alcoólicas quando se está tomando um medicamento.

Essa combinação pode alterar a absorção do fármaco, prejudicando o tratamento e aumentando as chances de uma reação adversa indesejada.

Por que é importante ter atenção?

O uso da Cannabis traz muitos benefícios, mas também exige cuidados. Interações medicamentosas podem:

  • Intensificar os efeitos colaterais;
  • Diminuir a eficácia de medicamentos importantes;
  • Aumentar os riscos para a saúde, especialmente em casos de uso prolongado.

Por isso, é essencial que o uso dos canabinoides seja acompanhado por profissionais qualificados, como médicos e farmacêuticos, que possam monitorar o tratamento e ajustar as doses de forma segura.

O que acontece no nosso corpo?

Os canabinoides, como o THC e o CBD, agem no organismo principalmente por meio de seus receptores no sistema endocanabinoide (SEC), que desempenham um papel importante na regulação de várias funções fisiológicas, como dor, humor, sono e apetite.

Porém para exercer essa ação, depois de ingeridos pela via oral, eles precisam ser absorvidos pelo corpo. Isso acontece no trato gastrointestinal, para depois serem transportados para o fígado, onde passam por um processo de metabolização. 

Metabolização é o processo em que o corpo transforma um medicamento ou substância em outras substâncias, para que ele possa ser utilizado ou eliminado do organismo.

 Esse processo ocorre principalmente no fígado, onde existem enzimas responsáveis por “quebrar” essas substâncias em compostos menores.

Entre essas enzimas, as mais conhecidas são as CYP450. Elas atuam como uma “linha de montagem” que transforma substâncias como os canabinoides (CBD e THC) em formas que o corpo consegue utilizar ou eliminar com mais facilidade.

Quando a Cannabis é metabolizada pelo fígado, ela pode competir ou interferir com outros medicamentos que também dependem das enzimas CYP450. Estima-se que cerca de 70-80% dos medicamentos são metabolizados por ela.

Isso pode causar mudanças nos níveis das medicações no organismo, exigindo ajustes de dose para evitar efeitos colaterais ou perda de eficácia.

Além das enzimas do fígado, o CBD e o THC também podem afetar transportadores que controlam como os medicamentos entram e saem do cérebro e de outros órgãos. Isso pode intensificar os efeitos dos remédios ou até causar efeitos indesejados.

É importante lembrar que essas interações acontecem quando se utiliza os canabinoides por via oral, seja na forma de óleo ou outros comestíveis. O uso vaporizado/fumado ocorre por via inalatória, tendo um processo de absorção diferente. 

Exemplos de interações dos canabinoides com medicamentos

Aqui estão alguns exemplos de interações de canabinoides com medicamentos:

1. Opioides (remédios para dor intensa)

O uso de canabinoides junto com opioides, como morfina ou oxicodona, pode aumentar os efeitos desses remédios. Isso significa que, em alguns casos, a dose de opioides pode ser reduzida.

Por outro lado, se não houver controle, o risco de efeitos colaterais graves, como sedação excessiva, pode aumentar.

2. Paracetamol

O CBD pode dificultar o metabolismo do paracetamol, aumentando o risco de danos ao fígado, especialmente se usado em altas doses.

3. Antidepressivos

Medicamentos como amitriptilina e duloxetina podem ter seus níveis aumentados pelo uso de canabinoides, o que pode causar efeitos colaterais, como tontura ou, em casos raros, problemas cardíacos.

4. Anticonvulsivantes

Remédios como lamotrigina e valproato podem interagir com os canabinoides, levando a alterações nos níveis desses medicamentos e possíveis efeitos colaterais, como problemas no fígado ou reações na pele.

Dicas para evitar problemas com interações medicamentosas

Se você usa ou pensa em usar produtos com canabinoides junto com outros medicamentos, aqui estão algumas dicas importantes:

  1. Informe seu médico: Sempre informe sobre o uso de Cannabis ou qualquer outra substância durante consultas.
  2. Monitore os sintomas: Fique atento a sinais como tontura, alterações de humor, fadiga excessiva ou dores diferentes.
  3. Evite automedicação: Nunca comece ou pare um medicamento por conta própria.
  4. Procure profissionais especializados: Profissionais que conhecem a Cannabis podem ajudar a combinar tratamentos de forma segura e eficaz.

Conclusão

A Cannabis é uma ferramenta poderosa no tratamento de diversas condições, como Alzheimer, Parkinson e transtornos de humor. No entanto, é importante entender suas possíveis interações medicamentosas para garantir um tratamento seguro.

Com a orientação correta, é possível aproveitar os benefícios da Cannabis enquanto se evita riscos desnecessários. Lembre-se: cada corpo reage de forma diferente, e a individualização do tratamento é essencial.

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Referências 

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