Como funciona um exame antidoping e como o comitê olímpico avalia o uso da cannabis pelos atletas durante os jogos.
Sumário
- O que é o exame antidoping?
- Como é feito o exame antidoping?
- O que o exame antidoping detecta?
- Como as agências antidoping lidam com a questão do uso da Cannabis?
- Atletas e paratletas olímpicos que usam Cannabis
- Benefícios da Cannabis para esportistas
- O que atletas dizem sobre a Cannabis?
Pela segunda vez na história das Olimpíadas, desde os Jogos de Tóquio em 2020, um dos compostos mais populares da cannabis, o CBD (canabidiol), está fora da lista das substâncias proibidas nos exames antidoping.
Afinal, usar substâncias que melhoram o desempenho dos atletas durante a maior competição esportiva do mundo é proibido pelas agências antidoping e pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), responsáveis por regular e fiscalizar esse tipo de conduta.
Esse passo em direção a quebra de estigmas sobre o uso da planta no meio esportivo, ganhou ainda mais impulso e visibilidade quando a tocha olímpica, símbolo do maior evento esportivo do mundo, foi carregada esse ano nas olimpíadas de Paris por Snoop Dogg, uma das figuras mais emblemáticas da cena canábica mundial.
A WADA (World Anti-Doping Agency), principal órgão internacional do setor, publicou a lista das substâncias e métodos que são proibidos durante as competições das olimpíadas e paraolimpíadas deste ano, tudo para garantir que os esportes aconteçam de forma limpa e justa.
Dentre as substâncias listadas estão estimulantes, anabolizantes, narcóticos, glicocorticóides e canabinóides. Porém, enquanto o CBD segue na lista das substâncias liberadas pela agência, o THC e todos os outros canabinóides continuam proibidos.
O que é o exame antidoping?
O exame antidoping é um teste que avalia se os atletas fizeram uso de substâncias ou métodos proibidos pela WADA e pelo COI para melhorar o desempenho esportivo de forma artificial.
Estes testes seguem critérios estabelecidos por essas entidades reguladoras e podem ser aplicados de forma aleatória ou quando há suspeita de violação das normas antidoping. O objetivo é assegurar a integridade e a igualdade no esporte
A prática do doping também pode colocar em risco a saúde desses atletas, uma vez que muitas das substâncias utilizadas têm efeitos colaterais graves e podem causar danos irreversíveis.
Como é feito o exame antidoping?
O teste antidoping começa com a coleta de amostras. A escolha do tipo de amostra, que pode ser de sangue ou urina, depende das substâncias que estão sendo testadas e das diretrizes estabelecidas pelas organizações esportivas responsáveis.
Depois de coletadas por um oficial de controle de doping, as amostras biológicas são levadas para análise em laboratórios credenciados pela WADA.
Na América do Sul, o LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem) é o único certificado pela agência.
O que o exame antidoping detecta?
Nas amostras de urina, a análise acontece em busca de substâncias, metabólitos ou marcadores listados como proibidos pela WADA.
Já no caso da amostra de sangue, a análise é focada em agentes que afetam a produção de células vermelhas do sangue, como os ESAs, além do hormônio de crescimento (GH) e do passaporte biológico do atleta.
Se o RAA (Resultado Analítico Adverso) confirmar a presença de alguma das substâncias proibidas, sendo que no caso dos canabinóides não há limite mínimo de tolerância.
Em seguida, a pessoa atleta e a entidade responsável recebem uma notificação e o caso vai para as instâncias competentes, que determinarão as possíveis sanções e consequências.
Como as agências antidoping lidam com a questão do uso da Cannabis?
Foi nas olimpíadas de Tóquio em 2020 que pela primeira vez na história dos jogos o uso do CBD pelos atletas, na sua forma isolada, foi permitido durante as competições.
Em 2017, a WADA retirou o CBD da lista de Lista de Substâncias Proibidas, ou seja, três anos antes das olimpíadas no Japão, onde de fato a decisão teve estreia.
O uso de qualquer outro canabinoide continua sendo intolerável, portanto, produtos full ou broad spectrum.
Ou seja, aqueles com fórmulas que utilizam a extração da planta com todos os compostos químicos, mesmo que em baixas doses, são banidos.
Curiosidades históricas sobre o uso da cannabis por atletas
“Engana-se quem acha que a utilização de plantas e ervas por atletas, com os mais diversos propósitos, seja privilégio da Era Moderna. Relatos do filósofo ateniense Lucius Flavius Philostratus apontam que, por volta do ano 800 a.C., atletas bebiam chás de várias ervas estimulantes e comiam “cogumelos” a fim de melhorar o desempenho atlético.
Conclui-se, portanto, que os antigos gregos não eram estranhos ao uso de canabinóides e, embora os escritos de Hipócrates não façam referência aos Jogos Olímpicos, suas obras traduzidas por Claudio Galeno mencionam o tratamento de lesões sofridas pelos atletas e dá detalhes deste remédio, uma pomada, que recebeu o nome “fuscum olympionico inscriptum” 1— em inglês “olympic victor’s dark ointment” (pomada negra do vencedor olímpico) 2 —, prescrita para o alívio de dores e inchaços e que era reservada para uso exclusivo dos vencedores olímpicos que, com finalidades medicinais, usavam a “pomada escura” sempre que se machucavam durante o evento…”
Leia o artigo na íntegra clicando aqui.
Atletas e paratletas olímpicos que usam Cannabis
Michael Phelps e Sha’Carri Richardson, dois grandes esportistas mundialmente reconhecidos por seus brilhantes desempenhos nas competições, tiveram divulgadas histórias de uso de maconha.
Em 2008, Michael Phelps, o maior nadador da história, após receber oito medalhas de ouro na mesma olimpíada, foi punido com cortes de patrocínio após a publicação de uma foto em que ele aparece fumando maconha em um bong, equipamento específico para o consumo da erva.
Já a corredora Sha’Carri foi impedida de participar da última olimpíada em Tóquio, após testar positivo para THC no exame antidoping.
A atleta, considerada a mais rápida do mundo, explicou que fez uso da erva em um estado legalizado dos EUA. Ela justificou o consumo alegando finalidade terapêutica, já que enfrentava uma grande pressão psicológica após o falecimento de sua mãe.
Outras pessoas atletas e paratletas olímpicos que usam Cannabis
A liberação do CBD pela WADA estimulou atletas a assumirem o uso da substância como opção de tratamento em questões de saúde.
Atletismo
- Usain Bolt – Velocista olímpico: recuperação dos treinos pesados e melhora do condicionamento físico.
- Daniel Chaves – Maratonista olímpico: passou a utilizar o óleo de CBD para ajudar no tratamento de depressão. Após conquistar a estabilidade emocional com o óleo, conseguiu se classificar para as olimpíadas de Tóquio em 2020, mas não ganhou medalhas.
Skate
- Pedro Barros – Skatista: uso para recuperação de lesões causadas no esporte e substituição de medicamentos mais fortes, como clonazepam. Defende abertamente o uso da planta no meio esportivo.
- Bob Burnquist – Skatista: faz o uso do canabidiol acelera a recuperação de lesões decorrentes do esporte. Junto com Alex Atala, renomado chef de cozinha, criou a Farmaleaf, uma empresa que oferece produtos à base de Cannabis para tratar dores e lesões.
- Ítalo Penarrubia – Skatista: declarou uso da cannabis para tratar ansiedade, hiperatividade e para aliviar as dores e lesões dos treinos e competições.
Basquete
- Kevin Durant – Jogador de basquete: uso para fins medicinais e recreativos, mesmo a substância não sendo permitida oficialmente pela NBA. O jogador fez parceria com a Weedmaps, uma empresa de pesquisa que fornece informações sobre a Cannabis.
- Brittney Griner – Jogadora de basquete: utiliza óleo de canabidiol para tratar lesões dos jogos sob prescrição e acompanhamento médico. Chegou a ser presa na Rússia por levar na mala o óleo de CBD e foi solta após uma troca de prisioneiros russos nos EUA.
Tênis
- Bruno Soares – Tenista: faz uso para recuperação de seus problemas físicos e lesões decorrentes do tênis. Os resultados no tratamento motivaram o atleta a investir cerca de R$12 milhões de reais no Laboratório de Pesquisa em Cannabis Ease Labs, uma multinacional que está no Brasil e que produz medicamentos com Cannabis no país.
Lutas
- Lívia Souza – Lutadora de UFC: faz uso para fins medicinais. A primeira atleta brasileira a receber patrocínio de uma empresa internacional de cannabis, a USA Hemp. A atleta apoia o uso da maconha medicinal e recreativa publicamente em suas redes sociais.
- Raoni Barcelos – Lutador de MMA: utiliza o óleo de CBD para se recuperar das lesões das lutas e recebe patrocínio da Hemp Meds, empresa estrangeira de produtos de cannabis.
- Nate Diaz – Lutador de MMA: usa o canabidiol para auxiliar na recuperação das lesões do esporte.
- Maguila – Pugilista: faz uso da cannabis para controlar uma grave doença, Encefalopatia Traumática Crônica, que acarreta uma degeneração das células do cérebro decorrentes das lesões na cabeça durante as lutas.
Natação
- Talisson Glock – Nadador paralímpico: o nadador utiliza o CBD para tratar a insônia, melhorar a qualidade do sono e ajudar na recuperação entre os treinos e competições.
- Roberto Alcalde – Nadador paralímpico: faz uso para tratar ansiedade, ajudando a melhorar o rendimento e a concentração.
Bicicleta
- Andrew Talansky – Ciclista: começou a usar o CBD para tratar uma lesão no tendão flexor do quadril, insônia e ansiedade. Atualmente é patrocinado pela Floyd’s de Leadville, uma marca de produtos canábicos.
Futebol
- Carli Lloyd – Jogadora de futebol: a jogadora afirmou que utiliza o medicamento à base de Cannabis para lidar com as dores e ajudar na recuperação física entre treinos e disputas.
- Megan Rapinoe – Jogadora de futebol: faz uso no momento pré treino para aliviar a ansiedade.
Benefícios da Cannabis para esportistas
Seja para melhorar a performance, combater os processos inflamatórios, lesões, tensões musculares, insônia ou controlar a ansiedade e o estresse, é unânime que a cannabis chegou para ficar no meio esportivo, como mais uma ferramenta que auxilia o atleta.
As vantagens que o atleta alcança com o uso da planta tem se tornado um dos pilares das pesquisas sobre o uso medicinal da cannabis.
Dr Jimmy Fardin Rocha é um dos ortopedistas que estuda a fundo essa linha. Ele começou a usar a cannabis pessoalmente para controle da ansiedade.
Como os resultados foram positivos, acabou se especializando no assunto e passou a prescrever aos seus pacientes, entre eles, alguns atletas.
Os medicamentos que ele costumava indicar, antiinflamatórios, analgésicos, opióides, aos poucos foi sendo substituído pelo uso quase que exclusivo dos produtos à base de cannabis.
“A cannabis mostra que a dinâmica do corpo humano não é prática e direcionada, isso por conta do SEC (Sistema Endocannabinoide), que é responsável pela homeostase das funções biológicas no corpo humano e que se conecta com os canabinoides da planta, por isso traz resultados em em diversos campos de atuação”, explica Dr Jimmy.
Propriedades da cannabis
As principais propriedades da Cannabis que auxiliam no desempenho esportivo são:
- Analgésica
- Antiinflamatória
- Neuro protetora
- Ansiolítica
- Combate a insônia
- Protege o sistema imunológico
Além do mais,
- Não causa dependência
- Não causa overdose
- Produto natural
- Baixo efeito colateral
O que atletas dizem sobre a Cannabis?
“Pratico esporte desde muito novo e sempre em ritmo de alta performance voltado para competição. Isso gera um desgaste do corpo. No meu caso, foi fundamental para regeneração muscular, combater processos inflamatórios, fadiga e melhorar a qualidade do sono” compartilha Fernando Paternostro, atleta profissional e empresário.
“Antes de começar a usar a cannabis eu chegava a acordar de hora em hora por causa de dores. Cinco dias depois que comecei a administrar o óleo, dormi seis horas seguidas. Foi restaurador. Desse momento em diante adotei a planta e sigo com ela”, relata Peu Guimarães, atleta de alta performance.
Satisfeito com os resultados, Fernando e Peu criaram no Brasil a primeira plataforma digital para informar sobre os benefícios da cannabis no meio esportivo, a página @atletacannabis.
Eles têm sido monitorados em seus treinamentos por médicos e especialistas da saúde que seguem protocolos para avaliar os resultados, medindo dosagem, composição das medicações, tipo de uso e frequência.
“A cannabis não vai curar a doença, mas ajuda a controlar o avanço e os sintomas. Hoje eu consigo dormir , tenho menos dor e crises de ansiedade. Para mim melhorou tudo. Se eu fico um dia sem tomar eu já sinto diferença no meu corpo”, confessa Susana Schnardorf, nadadora olímpica brasileira que aos 37 anos foi diagnosticada com uma rara doença degenerativa chamada Atrofia dos Múltiplos Sistemas.
Ao que tudo indica, é uma questão de tempo para que a WADA e o COI liberem o uso da planta na sua forma integral, pois ainda que ofereça diversos benefícios nas suas múltiplas formas de uso, não promove melhora direta no rendimento do atleta durante a competição.
Além disso, com a crescente do mercado de produtos à base de cannabis, muitas marcas estão patrocinando atletas em diferentes categorias.
Por isso, a exposição de atletas que fazem uso da planta é fundamental para quebrar preconceitos e abrir os caminhos da verdinha no meio esportivo.
Fontes
Perguntas frequentes sobre exame antidoping
O que é exame antidoping?
O exame antidoping é um teste que avalia se os atletas fizeram uso de substâncias ou métodos proibidos pela WADA (World Anti-Doping Agency) e pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para melhorar o desempenho esportivo de forma artificial.
O que o exame antidoping detecta?
Nas amostras de urina, a análise acontece em busca de substâncias, metabólitos ou marcadores listados como proibidos pela WADA.
Como as agências antidoping lidam com a questão do uso da maconha?
Em 2017, a WADA retirou o CBD da lista de substâncias proibidas. Mas o THC e todos os outros canabinóides continuam proibidos.
Atletas e paratletas olímpicos que usam Cannabis
– Michael Phelps
– Sha’Carri Richardson
– Usain Bolt
– Daniel Chaves
– Pedro Barros
– Bob Burnquist
– Ítalo Penarrubia
– Kevin Durant
– Bruno Soares
– Lívia Souza
– Raoni Barcelos
– Nate Diaz
– Maguila
Quais os benefícios da Cannabis para esportistas
Seja para melhorar a performance, combater os processos inflamatórios, lesões, tensões musculares, insônia ou controlar a ansiedade e o estresse, é unânime que a cannabis chegou para ficar no meio esportivo, como mais uma ferramenta que auxilia o atleta.

Formada em jornalismo há quase 20 anos, Thais já passou pelas editorias de meio ambiente, turismo, cultura e gastronomia trabalhando por 17 anos na Chapada Diamantina onde deu aulas de comunicação e publicou três livros pelo Senac. Nos últimos cinco anos vem se dedicando exclusivamente a assuntos relacionados à política de drogas, à terapia cannabica, e psicodélicos, produzindo conteúdo para diferentes portais de notícias do gênero.
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