Quando escutamos o termo ‘edibles’ soa nos nossos ouvidos como algo contemporâneo, podemos visualizar uma goma ou um brownie, porém alimentos e também bebidas infusionadas acompanham a humanidade há milhares de anos e os efeitos procurados para além da medicina ou forma recreativa é o tão desejado bem-estar.

Contemporâneo é o fato que os ‘edibles’ evoluíram e se transformaram em pratos visualmente atraentes, deliciosos e principalmente uma fonte rica de saúde e self care.

Há alguns anos uma nova cultura alimentar canábica vem ganhando força, avançamos na forma como enxergamos os alimentos infusionados, consumidores não querem somente sentir o ‘high’, a grande tendência é a introdução da cannabis em nossa rotina alimentar.

A erva em nossa alimentação impulsiona nosso sistema endocanabinoide, sistema esse responsável por nossa homeostase corporal, e alinhar a planta com uma alimentação saudável eleva nossa sensação de se sentir bem, se tornando um super alimento com propriedades terapêuticas incomparáveis. O auto cuidado aplicado em nossa rotina de forma simples e leve.

Sementes de cânhamo podem ser introduzidas na alimentação do café da manhã até a janta, são ricas fibras, o que permite que o intestino funcione melhor. O cânhamo é rico em ômega 3, melhorando funções cognitivas podendo aliviar sintomas de ansiedade e depressão.

Azeites canábicos com CBD e THC se tornam verdadeiros coringas dentro uma cozinha, e a criatividade pode ser explorada com açúcar, sal e farinha infusionados sendo base para reprodução de diversos pratos.

Uma opção surpreendente são molhos de pimenta infusionados, além dessa combinação ativar neuroprotetores que potencializam o relaxamento corporal.

A indústria canábica não está mais presa em opções açucaradas, existe um mundo inteiro de culinária canábica por aí.

Desde granolas com sementes de cânhamo, petiscos salgados até pratos sofisticados que vão unir efeitos e terpenos, uma nova experiência de se consumir cannabis e desconstruir tudo que você imaginava sobre ingerir alimentos infusionados. A cultura de se alimentar bem para se sentir bem redescobre a cannabis como uma jóia escondida.

Como funcionam o Edibles

Os edibles, como dito anteriormente, são os comestíveis canábicos, tendo como mais famosos e acessíveis os brigadeiros de maconha, brownies e gomas.

Por consistir numa combinação de canabinóides e algum tipo de óleo, quando ingeridos em conjunto, são uma das formas mais eficazes de absorção desses compostos.

Além dos efeitos serem mais intensos do que quando se fuma, a duração dos efeitos são imensamente maiores. A cannabis quando ingerida como alimento, a metabolização converte 100% do THC para 11-hydrocy-THC, essa é a chave para os edibles demonstrarem mais efeitos em comparação com apenas 20% de quando fumada.

Chocolate e Cannabis

Quase todo mundo ama chocolate, muitas vezes comemos sem parar e só conseguimos pensar “chocolate” e “delicioso”. De fato, o chocolate está entre os alimentos mais saborosos da Terra e pode apresentar uma ampla gama de nuances dependendo do tipo de cacau, de grãos, local de cultivo, solo, altitude, condições ambientais, quando os grãos foram colhidos, como foram processados.

Traçando um paralelo com o cultivo de cannabis as possibilidades são infinitas em ambos.

As semelhanças não param apenas no cultivar, cannabis e chocolate são duas substâncias com o poder de deixar as pessoas muito felizes, literalmente!

Os efeitos de comer chocolate são quimicamente semelhantes aos efeitos de consumir cannabis.

Os grãos de cacau também produzem um tipo de canabinóide próprio que se liga aos mesmos receptores que o THC no cérebro e imita as sensações agradáveis ​​de consumir a maconha.

Em 1996, pesquisadores descobriram que o chocolate contém doses de anandamida , bem como duas substâncias que podem imitar os efeitos dela, N-oleoiletanolamina e N-linoleoiletanolamina, nome difícil mas efeito suave.

A lenda de que o chocolate é um afrodisíaco pode ter se originado dos efeitos felizes que ele pode proporcionar graças à anandamida.

A cannabis tende a aumentar o prazer do sabor e da textura, é fácil ficar empolgado com os perfis de sabores do chocolate quando você está high, e a melhor parte é que tanto o chocolate quanto a cannabis são bons para você.

O cacau e a cannabis pertencem ao reino vegetal e estão na categoria de plantas sagradas. O cacau é rico em flavonóides, que são compostos presentes em vários alimentos, inclusive na cannabis, e tem a função anti-inflamatória, antioxidante e previne diversas doenças. Já na sua forma de chocolate temos o chocolate amargo que ajuda a controlar a pressão, e estabiliza o colesterol e a glicose.

Primeiro passo: a descarboxilação

A descarboxilação da flor é o primeiro passo para praticamente todas as receitas canábicas, é uma forma simples e rápida de ativar as propriedades da cannabis através do calor.

Se você pretende sentir os efeitos do THC e CBD isso deve ser feito porque a erva fresca de fato não contém quase nada desses dois fitocanabinoides. As flores frescas e seus tricomas são ricos em THCA, a forma ácida do THC, ou CBDA, a forma ácida do CBD.

Para transformar essas partículas ácidas e transformá-las em THC e CBD, precisamos de temperaturas altas. Quando fumamos, vaporizamos ou aquecemos a erva, a molécula se quebra e conseguimos aproveitar seus efeitos mais intensos.

Mas, quando cozinhamos com cannabis é preciso descarboxilar antes.

O procedimento é bem básico e pode ser feito de inúmeras formas, um dos métodos mais fáceis é colocando no forno.

Materiais necessários:

  • Cannabis dichavada
  • Assadeira com bordas elevadas
  • Papel manteiga
  • Colher de pau ou espátula
  • Luva de forno

Segundo passo : Infusionar

Para cozinhar com a cannabis, também precisamos lembrar que ela é lipossolúvel, ou seja, isso significa que seus componentes se dissolvem não em água, mas sim em gorduras como manteiga e óleos vegetais, como o de côco. Essas duas gorduras são as mais utilizadas para cozinhar alimentos canábicos, e podem ser feitas em casa e guardadas para quando você quiser ou precisar.

Após a descarboxilação, combine óleo e cannabis e aqueça os dois juntos, em fogo baixo e em banho-maria por pelo menos 6 horas (8 é melhor), mexendo ocasionalmente. A temperatura do óleo não deve exceder 118°C. Para controlá-la, use um termômetro de cozinha.

COMO SABER A DOSE

Os comestíveis geralmente levam cerca de 40 a 60 minutos para demonstrar os efeitos, o tempo de ação também influencia na quantidade que devemos ingerir. No entanto, o tempo de início depende de muitos fatores já que cada organismo responde de uma forma.

Isso ocorre porque a absorção ocorre primeiro no trato digestivo. A partir daí, os ingredientes ativos entram na corrente sanguínea e viajam para o fígado. No fígado, os ingredientes ativos são metabolizados antes de serem liberados de volta à corrente sanguínea e entrarem no cérebro, momento em que os efeitos aparecem.

A experiência de quem cozinha é um fator primordial para uma boa e relaxante onda, e não estamos falando como foco o sabor mas sim a experiência em saber dosar a quantidade de erva, potência e porções servidas. Embora seja relativamente fácil cozinhar com cannabis e fazer da planta comestível do zero, pode ser muito difícil descobrir a dosagem precisa para edibles artesanais.

O cálculo da potência por porção envolve um pouco de matemática e muita experiência de que os fitocanabinóides estejam distribuídos uniformemente. Pelo fato de cada pessoa ter um organismo único e um sistema endocanabinóide único, a pessoa que te prepara um comestível, seja um prato mais sofisticado ou apenas porções de brownies, deve levar em conta a metabolização individual e controlar a miligramagem começando devagar com doses de 2,5mg até no máximo 5mg por porção, se certificando de uma onda leve a cada prato.

Ao comprar snacks canábicos, lanches rápidos, certifique-se de que a dosagem esteja claramente rotulada para cada pacote para que você saiba como eles são dosados. Nessa situação é extremamente importante você saber como funciona a metabolização dos comestíveis, algumas pessoas podem empilhar as doses quando não sentem os efeitos imediatamente pois como a cannabis dentro dos alimentos precisa passar pelo seu sistema digestivo antes de entrar na corrente sanguínea a quebra das moléculas é mais lenta, os efeitos podem levar horas para se estabelecer e a força dos efeitos vai gradualmente atingindo o seu pico.

Por isso cuidado, como o início é atrasado e o efeito de pico também, comer muitos comestíveis pode levar a uma experiência desagradável mas fique tranquilo, ninguém nunca morreu por consumir muita cannabis. Busque pessoas com conhecimento para um jantar canábico ou uma refeição mais elaborada e caso compre snacks seja paciente com os efeitos, apenas relaxe e sinta-se bem.


Fonte: Girls in green

Como armazenar seus edibles

Como tudo que envolve o mundo da cannabis é relativo, logo o armazenamento dos produtos com infusão não seriam diferentes.

As infusões e produtos podem ter prazos de validade totalmente variados, dependendo de seus métodos de preparação, ingredientes usados, usos pretendidos e condições de armazenamento.

Uma tintura de cannabis bem armazenada e bem feita tem uma vida útil praticamente indefinida, pode durar anos com pouca ou nenhuma degradação.

Por outro lado, mesmo o brownie com infusão de cannabis mais habilmente criado e armazenado em condições ideais o tempo não será seu amigo. Muitas vezes as infusões envolvem ingredientes mais voláteis e, em alguns casos, perecíveis que podem ser muito mais sensíveis.

Como o açúcar age como um conservante natural, os doces de cannabis duram um pouco, mas o ar e a temperatura podem tornar sua textura desagradável. A geladeira pode ser o melhor caminho, mas nem todos os doces são iguais.

Balas duras e caramelos absorvem a umidade, tornando-os macios e grudentos ao longo do tempo, mantenha-os em um recipiente fechado em pote hermético em um local fresco e qualquer coisa macia, como os caramelos, deve ser embalada individualmente. Doces duros duram até um ano e doces mais suaves de seis a nove meses.

Mas nem tudo no universo dos ‘edibles’ se resume ao açúcar. Porém, tal como acontece com os doces, o ar não é seu amigo quando se trata de qualquer coisa assada ou frita, nesse caso armazene bem, mesmo em geladeira, o máximo da validade são três meses.

Azeites preparados para serem base em pratos, rotineiros ou sofisticados, são leves e sensíveis ao calor, mantenha-os em local escuro. Armazenando corretamente, você pode esperar que seu óleo dure de seis meses a um ano, caso sinta um amargor é sinal que provavelmente os fitocanabinoides estão oxidando, nessa situação ou você utiliza rápido ou joga fora.

A dica de ouro é que para todas as suas guloseimas de cannabis você deve fechar muito bem e etiquetar, rotular claramente o conteúdo e use potes com tampas coloridas, de preferência verde para que seu cérebro crie uma associação rápida, e sempre deixe fora do alcance de crianças.

Mercado legalizado de Edibles

Em países ou estados onde a cannabis é legalizada, os comestíveis se tornaram um mercado bastante amplo, desde empresas que fazem gummies, doces em geral, cookies, brownies, bolos e todos os tipos de larica.

Hoje existem inúmeros chefs especializados em cozinhar com canabinóides e combinar os terpenos e sabores da comida.

A Netflix, inclusive, tem uma série incrível sobre isso: a Cooked With Cannabis mostra diferentes chefs canábicos fazendo suas próprias extrações e criando pratos surpreendentes para surpreender os jurados e convidados.

Se observarmos ao nosso redor a erva sempre esteve ali e sempre estará, são os mínimos detalhes que nos fazem perceber o quão íntima é a relação da humanidade com a maconha.

Façam chocolates canábicos ou pratos elaborados e reúnam amigos, troquem entre si com muita paz e muita diversão!