O que o primeiro pesquisador autorizado a cultivar Cannabis no Brasil nos diz sobre folhas de maconha

folhas de maconha

É possível estabelecer uma padrão entre as folhas de maconha e as espécies? As folhas dizem sobre a saúde da planta? Vem descobrir.


Sumário

  1. Como identificar as folhas de maconha?
  2. A necessidade faz o jardineiro
  3. O que as folhas de maconha podem dizer sobre a saúde da planta
  4. Pioneiro na plantação da erva
  5. Qual é a diferença entre as folhas das subespécies de maconha?
  6. Planta fêmea, planta macho
  7. Carl Linnaeus, Pai da taxonomia
  8. Padrões não confiáveis

Elas podem ser finas, ou mais curvilíneas, com uma coloração verde-escura, ou até azulada. As folhas de Cannabis Sativa L., que popularmente conhecemos e consumimos como maconha, há algum tempo, podiam até indicar qual espécie aquela planta pertencia.

Mas tudo mudou quando os cultivadores perceberam que o cruzamento entre diferentes espécies de Cannabis poderia maximizar seus benefícios. 

Como identificar as folhas de maconha?

As folhas de maconha são partes da planta Cannabis sativa, Cannabis indica e Cannabis ruderalis. Elas possuem uma estrutura característica com folíolos serrilhados e em número ímpar, geralmente em formato de palmeira.

Essas folhas contêm compostos bioativos, incluindo fitocanabinóides, terpenos e flavonoides, que contribuem para as propriedades medicinais e recreativas da erva.

A necessidade faz o jardineiro

Inicialmente, cultivadores buscavam criar plantas que fossem mais resistentes a insetos invasores e doenças, além de adaptáveis a diferentes climas.

O que as folhas da maconha podem dizer sobre a saúde da planta

As folhas da cannabis podem fornecer importantes sinais sobre a saúde da planta:

  • Cor: Folhas verdes vibrantes indicam uma planta saudável, enquanto folhas amarelas, marrons ou manchadas podem sinalizar deficiências de nutrientes, excesso de água ou problemas com insetos.
  • Forma: Folhas curvadas ou deformadas podem ser um indicativo de estresse hídrico, desequilíbrio de pH ou exposição a temperaturas extremas.
  • Textura: Folhas saudáveis devem ser firmes e robustas. Folhas moles ou caídas podem indicar problemas de irrigação, ou doenças.

Com o tempo, a necessidade de atender as preferências específicas dos consumidores e as demandas do mercado impulsionou a criação de híbridas. 

Esses cruzamentos pretendem equilibrar os efeitos psicoativos do THC com as propriedades terapêuticas do CBD, resultando em variedades que proporcionam alívio para uma série de condições médicas, desde a ansiedade até a dor crônica.

A inovação no cultivo de cannabis continua a evoluir, impulsionada pela crescente (e felizmente) aceitação e legalização da planta em diversos países. 

Por aqui, conversamos com o primeiro pesquisador brasileiro autorizado a cultivar Cannabis no país, Sérgio Barbosa, diretor-executivo da ADWA Cannabis, uma empresa que pesquisa sementes, variedades e potenciais do solo brasileiro para plantio, com foco no melhoramento genético da planta. 

Pioneiro na plantação da erva

Durante sua graduação na Universidade Federal de Viçosa, Sérgio transformou seu trabalho de conclusão de curso em uma das empresas mais valiosas do setor. 

A ADWA se destaca como a única empresa autorizada a cultivar cannabis no país. Este marco foi alcançado graças ao trabalho sério e inovador que Sérgio, engenheiro-agrônomo, vem desenvolvendo nos últimos cinco anos.

O início de seu projeto se deu quando o pesquisador começou a observar que as mães de pacientes que usam a erva de forma medicinal estavam conseguindo autorização de exportação de medicamentos e cultivo da planta, devido ao alto valor no Brasil. 

Na mesma época, outros países já estavam utilizando a Cannabis como cultura agrícola, em contrapartida, que no nosso, não tinha sequer pesquisas para se colocar de forma competitiva e auto suficiente nesse mercado. 

Foto: acervo pessoal

Sendo assim, Sérgio propôs a Universidade Federal de Viçosa, onde é Mestre e Doutorando em Fitotecia na área de Melhoramento de Plantas, Recursos Genéticos e Biotecnologia, a realização de projetos sobre o cultivo da maconha, para verificar a adaptação da erva aqui no país, com fins comerciais. 

Essa vontade veio com o desejo de produzir pesquisas para o Brasil, desenvolver tecnologia para o país, conta o pesquisador. 

Mesmo com todo arcabouço técnico, todas as devolutivas que Sérgio e a equipe de pesquisadores da universidade tinham eram negativas. 

Foi necessário a entrada em um processo judicial, alegando que utilizaria a pesquisa em seu projeto de mestrado, para que tivesse sua primeira autorização em mãos. 

Na lista de ações verdes no qual o pesquisador é o pioneiro, ele também é autor do primeiro Zoneamento Agroclimático para o cultivo de Cannabis para uso Medicinal e Industrial no Brasil e do primeiro trabalho de caracterização agronômica da espécie no país. 

“O trabalho de zoneamento, serve tanto para entender a dinâmica do país, como para direcionar o investimento de produtores rurais, para qual finalidade serão utilizados os espaços mais adequados para o plantio. Ele também é aplicado para fins de melhoramento genético, ou entender a dinâmica climática de uma determinada região”.

Além disso, Sérgio uniu tecnologia na agricultura à sua paixão pela cannabis para criar variedades melhoradas de maconha adaptadas ao solo brasileiro. 

Popularmente, é de conhecimento três principais espécies de Cannabis, sendo elas: Cannabis sativa, Cannabis indica e Cannabis ruderalis. 

Diferença entre as folhas de maconha

Qual é a diferença entre as folhas das subespécies de maconha?

As subespécies de cannabis possuem diferenças notáveis nas suas folhas:

  • Cannabis sativa: as folhas são mais longas e estreitas, com uma coloração verde-clara. São geralmente mais altas e podem ser identificadas pela sua estrutura mais aberta.
  • Cannabis indica: as folhas são mais curtas, largas e têm uma coloração verde-escura. As plantas são mais compactas e densas, com uma estrutura foliar mais densa.
  • Cannabis ruderalis: as folhas são mais pequenas e possuem uma aparência menos definida em comparação com sativa e indica. Esta subespécie é conhecida pela sua capacidade de florescer automaticamente, independentemente do ciclo de luz.

As folhas da maconha podem ser aproveitadas de diversas maneiras para beneficiar a saúde e o bem-estar, listamos as 3 principais: 

  • Conteúdo Nutricional: As folhas de cannabis são uma fonte de nutrientes essenciais, incluindo vitaminas, minerais e antioxidantes, que contribuem para a saúde geral e o bem-estar.
  • Fibra: Ricas em fibras alimentares, as folhas de cannabis podem contribuir para uma digestão saudável e ajudar a regular os movimentos intestinais.
  • Fitoquímicos: Contendo fitoquímicos como flavonóides e terpenos, as folhas possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, potencialmente benéficas para a saúde.

É importante notar que os benefícios específicos para a saúde e a potência das folhas de cannabis podem variar conforme a cepa da planta, práticas de cultivo e métodos de processamento.

Portanto, a utilização das folhas deve ser adaptada conforme essas variáveis para maximizar os potenciais benefícios.

Planta fêmea, planta macho

A planta de cannabis que produz flores é a fêmea. Isso ocorre porque as flores fêmeas da cannabis desenvolvem os botões florais ricos em compostos como THC e CBD, que são valorizados tanto para uso medicinal quanto recreativo. 

As plantas macho, por outro lado, produzem sacos de pólen que são necessários para a polinização, mas não geram botões florais.

Conhecido como cânhamo, do ponto de vista biológico, o cânhamo e a maconha pertencem à mesma espécie de planta, a Cannabis sativa, mas são variedades ou cultivares distintos. 

Embora geneticamente semelhantes, cânhamo e maconha são diferenciados por seu uso e composição química, além das práticas de cultivo específicas.

Em geral, a maconha é cultivada para uso como droga psicotrópica, seja para fins medicinais ou recreativos, enquanto o cânhamo é cultivado para a produção de uma ampla gama de produtos, como alimentos e bebidas, produtos de higiene pessoal, suplementos nutricionais, tecidos, materiais têxteis, papel e materiais de construção. 

Além disso, os termos cânhamo e maconha têm definições jurídicas distintas já em algumas legislações, como a norte-americana.

Carl Linnaeus, Pai da taxonomia

O botânico sueco Carl Linnaeus, no século XVIII, foi um dos primeiros a estudar a cannabis em detalhes e a classificá-la taxonomicamente. 

Em seus estudos, Linnaeus identificou as diferenças entre as plantas macho e fêmea da Cannabis sativa, notando que apenas as plantas fêmeas produzem as flores resinadas que são utilizadas para diversos fins. 

Suas observações ajudaram a estabelecer a base para a compreensão moderna da botânica da cannabis e seu cultivo seletivo, que busca maximizar a produção das flores fêmeas.

Já o geneticista Sérgio Barbosa, diz que em relação aos aspectos anatômicos das folhas machos e fêmeas, não encontrou diferenças significativas que garantam a diferenciação das plantas do ponto de vista estético. 

O que pode ser bom indicativo se a planta é macho ou fêmea é seu porte, altura e distância entre seus internódios — os internódios de uma planta de cannabis são os segmentos do caule entre os nós, onde se desenvolvem folhas e ramos. 

A distância entre internódios varia conforme a variedade e condições de cultivo, afetando a estrutura da planta e a distribuição das flores.

Padrões não confiáveis

Como esse texto se iniciou relatando, é quase como uma lenda conseguir identificar uma espécie de Cannabis apenas por seus padrões estéticos, devido ao excesso de cruzamento durante os anos.

Para o pesquisador Sérgio Barbosa, é necessário estabelecer outros marcadores morfológicos, ao modo que haja maior conhecimento químico das composições das plantas, além de estudos que possam atualizar essa relação morfológica entre as espécies. 

Fontes