Conheça os benefícios dos cosméticos de Cannabis para a pele e entenda a tendência de mercado de cosméticos à base de canabidiol.
Sumário
- A indústria da beleza e a tendência dos cosméticos de Cannabis
- Evidências científicas sobre os benefícios de cosméticos de Cannabis
- Giovanna Cruz ou Gi do Acre, fundadora da Caboclas
- Letícia Ravelly, a farmacêutica canábica
- Considerações finais
A cannabis está se tornando uma estrela no setor de beleza e cuidados pessoais, conquistando espaço em prateleiras de grandes marcas e nos rituais de cuidados diários de muitas pessoas.
Grandes e reconhecidas empresas como, por exemplo, The Body Shop, Colgate-Palmolive e Avon já estão adotando essa tendência e desenvolvendo produtos inovadores que aproveitam os benefícios terapêuticos dos cosméticos com canabinóides.
Já dá para perceber que não dá para ficar de fora desse assunto, não é? Pensando nisso, o objetivo desse artigo é refletir sobre os principais benefícios do canabidiol para a pele (principalmente a partir das evidências científicas) e entender o impacto dessa tendência no mercado de cosméticos.
A indústria da beleza e a tendência dos cosméticos de Cannabis
A indústria da beleza está sempre em busca de ingredientes naturais e eficazes e a cannabis tem se destacado como uma aposta promissora.
De acordo com a Dra. Letícia Nanci, especialista em cosméticos à base de canabidiol, o mercado global de produtos com CBD deve crescer significativamente nos próximos anos.
De fato, há uma tendência em pesquisar e aplicar o canabidiol em produtos de skincare, principalmente por causa de suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
Dados recentes indicam que o mercado de cosméticos à base de cannabis está em plena expansão.
Um relatório da Grand View Research projeta que esse mercado deve atingir US$1,7 bilhão até 2025.
Além da difusão dos benefícios terapêuticas da Cannabis, essa tendência também reflete a crescente aceitação e demanda por produtos naturais e eficazes que promovem a saúde da pele.
Evidências científicas sobre os benefícios de cosméticos de Cannabis
Existem diversas pesquisas científicas que respaldam os benefícios da Cannabis para a pele.
O canabidiol (CBD), um dos compostos mais populares da planta, demonstrou potencial em várias áreas da dermatologia, tais como:
- Propriedades Anti-inflamatórias: Um estudo publicado no Journal of Dermatological Science revelou que o CBD pode ajudar a reduzir a inflamação, sendo eficaz no tratamento de condições como acne e psoríase.
- Ação Antioxidante: O CBD é um poderoso antioxidante, ajudando a proteger a pele contra danos causados por radicais livres e retardando os sinais de envelhecimento. Uma pesquisa no Journal of Clinical Investigation mostrou que o CBD pode reduzir a produção de oleosidade, contribuindo para a prevenção da acne.
- Hidratação e equilíbrio sebáceo: O CBD ajuda a regular a produção de óleo pela pele, promovendo equilíbrio e hidratação adequada. Isso é especialmente benéfico para quem sofre de condições como dermatite e rosácea.
A pele é o maior órgão do corpo humano e abriga o nosso sistema CB2 do Sistema Endocanabinoide (SEC). A absorção através da pele é segura e ideal para obter resultados práticos, como a cicatrização.
Para entender melhor tudo isso, conversei com duas profissionais: uma esteticista e a outra farmacêutica, especialistas em pele e Cannabis para nos explicar como e porque acontece essa magia.
Giovanna Cruz ou Gi do Acre, fundadora da Caboclas
Giovanna Cruz, conhecida nas redes sociais como Gi do Acre, é natural do Vale do Juruá, Acre. Mãe de duas crianças, é também atleta, esteticista e fundadora da startups Caboclas.
Gi do Acre nos conta que desde criança teve acesso a plantas medicinais amazônicas. Um conhecimento transmitido através de gerações, desde antes de sua bisavó. “Sem falar no meu padrinho que é um verdadeiro mago da floresta”, revela Gi.
Porém, a partir dos movimentos de legalização da maconha, sendo a Califórnia uma grande referência, Gi do Acre teve acesso à informação de que havia um óleo de uma árvore nativa amazônica que tem o mesmo efeito medicinal da Cannabis.
A partir daí, Gi do Acre desenvolveu uma linha de 25 produtos em que esse óleo era a matéria prima principal.
Gi do Acre atuou durante 5 anos produzindo artesanalmente até mandar a primeira amostra do produto mais vendido para um laboratório, a fim de testar a informação de que o óleo potencializava o efeito medicinal da Cannabis. “Foi então que comprovamos, em laboratório e com o aval da ANVISA, que a substância C15, ou cariofileno, interage com o sistema CB2 de maneira semelhante à Cannabis”, nos conta Gi do Acre.
Empreendedorismo canábico
A maternidade e o conhecimento ancestral sobre as plantas amazônicas, impulsionaram a Gi do Acre a empreender.
Divorciada e com duas crianças pequenas, ela decidiu investir no seu sonho, pois não queria enfrentar o mercado de trabalho tradicional.
Em 2022 Gi do Acre fez um curso online de empreendedorismo canábico e desenvolveu um modelo de negócios startups, a partir desta primeira formação, ela foi para Expocannabis Uruguai, testar seu MVP (Produto Mínimo Viável) e lá conheceu e fechou parcerias chaves que lhe permitiram ser pioneira em trazer para o Brasil a terapia com canabinóides sem prescrição médica.
“Tenho orgulho de ter patenteado o Blend CBDAC, composto por quatro ativos genuinamente brasileiros que interagem no organismo dos mamíferos de maneira semelhante à Cannabis.” diz Gi do Acre.
O seu produto “Regenera Cabocla” promete ser um creme altamente hidratante que ativa o sistema endocanabinóide através do cariofileno (C15) e do betacariofileno (C15H24) presente na resina da copaíba.
Possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas que contribuem para o tratamento de inflamações subcutâneas e redução dos efeitos do envelhecimento na pele.
Seu efeito terapêutico, intensificado pelo terpeno de Lavender Kush, proporciona uma experiência sensorial de relaxamento que auxilia na redução da percepção de dor, controle de stress, ansiedade e insônia.
Gi do Acre já coleciona um bom número de relatos emocionantes de pessoas que se beneficiaram, de forma surpreendente, pelo efeito cicatrizante e antibacteriano do creme em lesões e queimaduras.
“Fora os relatos estéticos de melhoria na elasticidade da pele, clareamento de manchas e efeitos anti-inflamatórios”, enfatiza a fundadora da Caboclas.
Letícia Ravelly, a farmacêutica canábica
A farmacêutica Letícia Ravelly, alagoana, ativista antiproibicionista e paciente da maconha, reforça os poderes terapêuticos dos dermocosméticos à base de Cannabis:
“a maconha previne o envelhecimento do nosso corpo, e isso não seria diferente com a nossa pele. Ela promove ação antioxidante, controle de entrada e saída de água, ou seja, equilíbrio da hidratação, controle das glândulas sebáceas, equilíbrio da produção do sebo, ação de clareamento, cicatrização, anti-inflamatória, antibacteriana… imagina a quantidade de patologias de peles nos quais a Cannabis pode auxiliar no tratamento: acne, rosácea, câncer de pele, psoríase, dermatite…” explica a Letícia que tem especialização em farmácia magistral e Cannabis.
“O fator usuária, ativista, paciente, me fez ser a farmacêutica da maconha”
Letícia Ravelly nos conta que sua jornada com a maconha começou através do ativismo. Enquanto usuária da planta, começou a estudar sobre a substância e se especializou em farmácia e Cannabis.
“E como em 2015 a maconha para uso medicinal foi legalizada no Brasil, entendi que, enquanto farmacêutica, poderia auxiliar o paciente que precisa de acesso. Então busquei me informar e formar com estudos sobre a planta, me especializei em maconha. O fator usuária, ativista e paciente me fez ser a farmacêutica da maconha. Entendi que mais uma área de atuação farmacêutica foi criada, graças à trajetória que venho estudando, acompanhando e fazendo parte da construção”, diz Letícia Ravelly.
Considerações finais
No Brasil, os dermocosméticos à base de cannabis enfrentam desafios regulatórios, mas continua a despertar interesse e investimentos.
Enquanto aguardamos a regulamentação que permitirá acesso mais amplo a esses produtos, é importante se informar e se conscientizar sobre os benefícios e potencialidades.
Letícia Ravelly aponta como a proibição da Cannabis nos dificulta o acesso aos benefícios terapêuticos: “o proibicionismo nos impede de acessar essa via de administração, os dermocosméticos, pois não temos regulamentação no mercado.”
Seguindo a mesma linha de pensamento, Gi do Acre critica os rumos da legalização da Cannabis no Brasil: “Da maneira que estão fazendo, somente os grandes terão acesso a este mercado. O fato de não se explorar canabinóides fora da Cannabis limita a prescrição médica, o que torna tudo mais inacessível, principalmente para quem mais precisa.”
O Brasil caminha a passos lentos e com muitos tropeços rumo à legalização da Cannabis e à regulamentação do mercado.
Enquanto isso, seguimos contando com ativistas e cientistas que, através da ciência e da desobediência civil pacífica, provam que sentimos na pele os efeitos negativos da proibição da Cannabis e ganharíamos muito mais se pudéssemos sentir os potenciais terapêuticos da Cannabis na pele.
Referências
- Cosméticos de Cannabis: aposta de sucesso
- Tendência: cosméticos à base de canabidiol
- Cosméticos à base de cannabis: um mercado a todo vapor
Historiadora, pedagoga, tradutora. Escreve toda semana no: www.apoia.se/mairacastanheiro
Escrevo sobre maternidade, drogas, feminismo, desescolarização, história da poesia marginal, história da contracultura. Tenho artigos e ensaios acadêmicos publicados. Sou ativista pela legalização das drogas e uso minha palavra e voz para tratar da realidade das mães e mulheres, principalmente das mãeconheiras que sofrem as consequências do proibicionismo.
Sou filha de poetas da contracultura. Nasci em Salvador e fui criada no Rio de Janeiro, por isso, baioca! Atualmente moro em Florianópolis/SC. Sou historiadora, escritora e tradutora. Desde 2015 publico nas redes sociais meu blog: Diário de uma Mãeconheira. Publiquei meu primeiro livro, independente, em 2019 (cartas Para Maria Alice). Em 2021, pela editora Moluscomix, o diário de uma mãeconheira foi publicado em livro, com 224 páginas na cor verdeverdade. Atualmente, vivo como escritora e publico minha escrita no apoia.se/mairacastanheiro para os meus assinantes. Minha escrita passa por diferentes narrativas e estilos literários: cartas, diários, poesias, contos e ensaios. Trago bastante o universo de: sexo, drogas e rock and errou, desde uma perspectiva feminina e feminista, desde o lugar de ser mãe/mãeconheira, afinal, as mães também usam drogas e trepam!
Escrevo sobre qualquer coisa mas não escrevo qualquer coisa!
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