Provavelmente, você já esbarrou com algum texto que trata sobre os benefícios do uso medicinal da Cannabis.

Inclusive, no documentário Ilegal (2014) da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis, disponível integralmente no YouTube, algumas mães relatam suas lutas e experiências para conseguir o tratamento com canabidiol para seus filhos que sofrem de alguma doença rara.

O que talvez você não saiba é que pessoas que têm Síndrome de Marfa também encontram alívio de suas dores e melhoria de qualidade de vida com o uso da planta.

É o caso de Igor Seco, catarinense de 30 anos, diagnosticado com a Síndrome de Marfan desde a infância.

Para esclarecer as princípais dúvidas sobre esse assunto, o objetivo desse artigo é refletir sobre os benefícios do uso medicinal da Cannabis para o alívio dos sintomas da Síndrome de Marfan, especialmente a partir de evidências científicas.

O que é Síndrome de Marfan

A Síndrome de Marfan é uma doença genética que afeta o tecido conjuntivo, levando a um crescimento desproporcional dos ossos e outras anormalidades físicas.

Os sintomas podem variar de grau, entre leves e graves. Mas, de forma geral, compreendem principalmente:

  • As pessoas com o diagnóstico costumam ser altas e magras.
  • Os braços e pernas são longos e desprorpocionais.
  • Articulações muito flexíveis.
  • Podem ter problemas na coluna como, por exemplo, escoliose ou lordose.
  • O osso esterno pode afundar ou sobressair.
  • Podem ter miopia, descolamento de retina, glaucoma e catarata precoce.
  • Podem ter problemas respiratórios e cardiovasculares.
  • Pode ocorrer ectasia dural, o que causa cefaleia, dores no dorso e déficits neurológicos.

Como é o diagnóstico da Síndrome de Marfan?

O diagnóstico da Síndrome de Marfan geralmente envolve uma combinação de exames físicos, histórico familiar e testes genéticos.

É importante que o diagnóstico seja feito por profissionais de saúde qualificados para garantir que a condição seja identificada corretamente.

Como é o tratamento convencional da Síndrome de Marfan?

O tratamento convencional para a Síndrome de Marfan pode incluir medicamentos para gerenciar os sintomas e intervenções cirúrgicas, principalmente em casos de complicações cardíacas.

No entanto, muitos pacientes também buscam opções alternativas, como a Cannabis, para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida.

A experiência de Igor Seco com a Síndrome de Marfan e Cannabis

Igor Seco nos conta que conheceu a Cannabis ainda adolescente, de forma recreativa. Aos 20 anos, passou a fumar diariamente “para desopilar do trabalho e antes de dormir“.

Mesmo sem saber explicar, Igor Seco sentia que a Cannabis colaborava com a diminuição das dores crônicas que ele sentia devido à Síndrome de Marfan.

Como o uso medicinal da Cannabis entrou no tratamento de Igor

Somente aos 27 anos Igor Seco descobriu os poderes do uso medicinal da Cannabis. Ou seja, percebeu que a experiência de melhoria de qualidade de vida que ele sentiu com o uso da maconha não era algo individual e tinha explicação científica.

Igor estava em Portugal e, casualmente, se deparou com um evento sobre Cannabis Medicinal e conheceu a Santa Cannabis, uma associação canábica de Santa Catarina.

Neste evento, Igor Seco entendeu sobre o uso dos canabinóides, especialmente CBD e THC, como terapia para diversas doenças.

Pela facilidade de encontrar CBD na Europa, comprei um frasco em uma loja qualquer e comecei a usar para testar, foi um alívio quase imediato”, confessa Igor Seco.

Dali em diante, a vida de Igor Seco tomou outro rumo. Um rumo cheio de luta e de compromissos, mas também com esperanças sinceras.

O uso da Cannabis deixou de ser apenas recreativo e, além de medicinal, também passou a ser um propósito para Igor Seco.

Ativismo, trabalho e tratamento

Em 2018, Igor Seco fundou o primeiro podcast sobre Cannabis do Brasil, um programa que planejava ser voltado apenas para a comédia:

Conforme fui me aprofundando no tema, vi que muitos aspectos precisavam ser levados a sério. Foi quando comecei a me tornar um ativista, participar das marchas da maconha, me voluntariar para associações e conversar com especialistas. O tratamento só veio depois de eu já ter decidido defender a Cannabis publicamente.”

Desde então, Igor Seco está envolvido em vários projetos em prol da legalização da maconha. Junto com Marcelo Nhock comandam o THshow e a Rádio Hemp, um selo de conteúdo canábico que já tem seus 4 anos de sintonia e frequência máxima.

A Rádio Hemp está sempre presente em eventos e promovendo ações, lançou o primeiro baralho canábico do Brasil em 2023.

Quais são os benefícios da Cannabis para o tratamento da Síndrome de Marfan?

Igor Seco nos revela que, antes de iniciar o tratamento com CBD, não conseguia praticar esportes, nem mesmo ficar muito tempo em pé ou caminhar por longas distâncias.

A Cannabis entrou em sua vida como um complemento ao tratamento convencional e como uma forma de aliviar as dores que sentia:

Quando comecei meu tratamento, um amigo dono de uma academia viu meu relato no Instagram e me convidou para o crossfit, hoje pratico regularmente uma modalidade leve do esporte, pedalo e tenho uma vida muito mais movimentada graças à isso”, conta Igor Seco.

Só a partir do uso da Cannabis é que Igor pode sair do sedentarismo e praticar atividades físicas sem dores: “acabou com 100% do desconforto que eu sentia diariamente. Costumo dizer que sem maconha e atividade física eu não sou ninguém”.

Atualmente, ele usa a Cannabis das formas mais variadas possíveis. Fuma, vaporiza e às vezes passa pomadas à base de CBD.

No entanto, regularmente mantém seu tratamento com as gotas do óleo de Cannabis: “posso ficar semanas sem um beck ou sem vaporizar, mas se falta óleo por 2 ou 3 dias, as dores começam a voltar e o meu problema regride para um momento antes do tratamento”.

Inclusive, é importante mencionar que, através de um hábeas corpus, Igor possui permissão para o cultivo domiciliar de maconha desde maio de 2021 e pode extrair seu próprio óleo em casa.

Quais são as evidências científicas sobre o tratamento da Síndrome de Marfan com Cannabis

Diversas pesquisas demonstram as evidências científicas dos benefícios da Cannabis para pessoas que têm Síndrome de Marfan, assim como Igor Seco

Um estudo publicado no Journal of Pain Research (2018) mostrou que os canabinóides podem ser eficazes no manejo da dor crônica e da inflamação em pacientes com condições do tecido conjuntivo.

Isso porque os canabinóides atuam no Sistema Endocanabinoide, crucial na regulação da dor e da resposta inflamatória.

Outro estudo, publicado na Frontiers in Pharmacology (2019), destacou os efeitos do CBD (canabidiol) em doenças raras, incluindo condições genéticas que afetam o tecido conjuntivo.

Os resultados sugerem que o CBD pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, um estudo de caso no Journal of Cannabis Research (2020) documentou a experiência de um paciente com Síndrome de Marfan que usou Cannabis medicinal para o manejo da dor crônica, relatando uma redução significativa na dor e uma melhoria na qualidade de vida.

Essas evidências sugerem que, embora o uso de Cannabis não cure a Síndrome de Marfan, pode ser uma ferramenta útil no manejo de sintomas específicos, principalmente a dor crônica e a inflamação.

É importante lembrar que o uso medicinal da Cannabis deve ser feito a partir da orientação e acompanhamento de profissionais da saúde especializados,para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.

Conclusão

Aos poucos, a partir da difusão de novos estudos e a divulgação científica dos resultados, a Cannabis vem ganhando espaço como alternativa aos tratamentos convencionais de doenças.

Nesse contexto, pessoas como Igor Seco são fundamentais para desmistificar o uso da Cannabis validar seus potenciais terapêuticos.

A ciência aliada a histórias reais, de pessoas que sentem na pele os benefícios para a sua qualidade de vida e bem-estar, são a porta de entrada para a revolução que a Cannabis pode trazer para a saúde.