O que é e quais os sintomas da Doença de Parkinson e quais são as evidências científicas sobre o tratamento da doença com Cannabis.
Sumário
- O que é a doença de Parkinson?
- Os sintomas da doença de Parkinson
- O tratamento atual e seus efeitos colaterais
- Como a Cannabis pode ajudar os sintomas do Parkinson?
- Estudos científicos sobre o tratamento com Cannabis na doença de Parkinson
- O Brasil e seu papel nos estudos científicos
- Considerações finais
A doença de Parkinson é o segundo distúrbio neurológico mais comum entre a população idosa no mundo, afetando cerca de 1-3% das pessoas com faixa etária acima de 60 anos.
Neste artigo vamos conhecer mais sobre a doença, entender seus sintomas, abordar como ocorre o tratamento e também como a Cannabis pode ajudar nesses casos.
O que é a doença de Parkinson?
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, ou seja, ela causa a morte de neurônios (células responsáveis pelo funcionamento do encéfalo/cérebro), afetando o funcionamento dessa estrutura.
A perda de neurônios ocorre principalmente em uma área chamada substância negra, responsável pela produção de dopamina.
A Dopamina é um neurotransmissor que possui diversas funções, como a regulação de humor, controle dos movimentos e coordenação motora.
Com uma menor quantidade de dopamina nessa área, ocorre uma dificuldade na função motora do paciente, surgindo assim os principais sintomas da doença.
Sem uma causa totalmente conhecida, já se sabe que alguns fatores estão envolvidos com a doença de Parkinson, como genética e até mesmo exposição a agrotóxicos.
Antigamente a doença era conhecida como “Mal de Parkinson”, mas esse termo caiu em desuso pela conotação negativa e estigmatizante.
Os sintomas da doença de Parkinson
Os sintomas podem ser divididos entre sintomas motores e não motores, afetando ou não a função do movimento.
A doença é mais conhecida por causar problemas motores, mas para esses sintomas começarem, se estima que já ocorreu uma perda de pelo menos 50% dos neurônios dopaminérgicos daquela região.
Sintomas não motores
Os sintomas não motores então podem anteceder os sintomas motores. Alguns desses sintomas são:
- Distúrbios do sono
- Disfunção cognitiva
- Dor
- Perda olfatória
- Fadiga
- Transtornos de ansiedade e
- Depressão.
Sintomas motores
Os principais sintomas motores da doença de Parkinson incluem:
- Tremores: Movimento involuntário, das mãos, braços, pernas ou outras partes do corpo;
- Rigidez muscular: Ocorre o enrijecimento dos músculos, o que pode atrapalhar na movimento, também podendo causar dores;
- Bradicinesia: Dificuldade em iniciar o movimento, tornando ele mais lento, diminuindo a velocidade e amplitude do mesmo;
- Instabilidade postural: Devido a falta de equilíbrio, pode ser difícil manter a postura ereta, o que influencia no risco de quedas;
Outro sintoma motor comum é a discinesia (movimento involuntário), que costuma ser um efeito colateral da medicação utilizada como tratamento.
O tratamento atual e seus efeitos colaterais
Como uma doença que não tem cura, o tratamento do Parkinson tem o objetivo de reduzir os sintomas.
A medicação mais comumente utilizada é a Levodopa, um precursor da dopamina.
Precursor é uma substância que chega ao Sistema Nervoso Central (SNC) e se transforma em outra, nesse caso, dopamina.
Dessa forma, ela auxilia a região onde ocorre a perda desse neurotransmissor, melhorando os sintomas motores do paciente.
Embora seja um tratamento eficaz para a doença de Parkinson, ela apresenta alguns problemas, entre eles está a Discinesia, que pode ocorrer no tratamento a longo prazo com a Levodopa.
A Discinesia é o movimento involuntário, como tremor e contorção, principalmente em partes da cabeça, pescoço e outros membros.
Outro efeito comum é o período “On-Off”, onde no período “Off” os sintomas da doença de Parkinson são mais presentes, assim causando respostas motoras flutuantes/inconstantes.
Com o tempo é comum que o paciente necessite aumentar a dosagem da medicação para manter sua eficácia.
Outras medicações também são utilizadas conforme os sintomas do paciente, antidepressivos, ansiolíticos, indutores de sono e outros.
A Cannabis pode ser uma opção para o tratamento, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Como a Cannabis pode ajudar os sintomas de Parkinson?
O nosso corpo possui diversos receptores que interagem com a Cannabis, isso é devido ao Sistema Endocanabinoide.
Os receptores mais conhecidos são o CB1 e CB2, localizados em maior proporção no sistema nervoso central e no sistema imune, respectivamente.
É devido ao nosso corpo estar cheio de receptores canabinoides que o tratamento com Cannabis pode servir para tantas patologias/transtornos diferentes.
Em relação à doença de Parkinson, o tratamento com o Canabidiol (CBD) e Tetrahidrocanabinol (THC) auxiliam na qualidade de vida do paciente.
Nos pacientes que utilizam a Cannabis para tratamento do Parkinson, se tem relatos da redução dos tremores, rigidez muscular, dores, melhora do sono e outros sintomas.
Além da ação nos sintomas motores e não motores, o efeito neuroprotetor pode ajudar a diminuir a progressão da doença.
Talvez você já tenha visto o vídeo de um paciente com Parkinson que ao utilizar o extrato da Cannabis teve uma melhora surpreendente nos sintomas motores da doença.
Em poucos minutos o paciente tem uma redução do tremor e da discinesia, conseguindo conversar de forma normal. O vídeo está abaixo.
Em 2023, o político Eduardo Suplicy revelou fazer uso da Cannabis para tratamento do Parkinson. Segundo ele “o tratamento fez com que dores nos músculos da perna sumissem e diminuísse os tremores”
Você pode ler a entrevista completa com Eduardo Suplicy aqui.
Estudos científicos sobre o tratamento com Cannabis na doença de Parkinson
O estudo contou com 21 pacientes divididos em 3 grupos que receberam 75mg de CBD isolado, 300mg de CBD isolado ou placebo.
Não foi encontrada uma redução significativa em relação aos sintomas motores da doença, mas constataram uma melhora na escala que avaliou a qualidade de vida dos pacientes.
Outro estudo feito na Universidade de Praga, na República Checa, avaliou a experiência dos pacientes com doença de Parkinson que utilizaram a Cannabis como tratamento.
Por meio de um questionário respondido de forma anônima, foi relatado: 45,9% dos pacientes apresentaram melhora dos sintomas em geral. 30,6% apresentaram redução do tremor em repouso, 44,7% relataram alívio da bradicinesia, 37,7% diminuição da rigidez muscular, e apenas 4,7% relataram piora dos sintomas da doença.
Apesar dos relatos positivos de pacientes e na prática clínica dos profissionais de saúde, ainda falta um número significativo de estudos científicos que comprovem o benefício do uso.
Isso se dá pela dificuldade em realizar estudos com uma planta que foi proibida durante muito tempo. Também influenciam os resultados fatores como tempo de tratamento, número de pacientes, tipos de produtos com Cannabis utilizados.
O Brasil e seu papel nos estudos científicos sobre Cannabis e Parkinson
Apesar das dificuldades de se produzirem estudos científicos com a Cannabis, o Brasil sedia atualmente uma das maiores pesquisas feitas utilizando a planta como tratamento para doença de Parkinson.
O número de pacientes e o tempo de tratamento torna ele inédito no mundo.
A pesquisadora Ana Carolina Martins Ruver fala sobre a expectativa com o estudo:
“Nossa expectativa como pesquisadores vai além da própria pesquisa, é poder de fato contribuir com o tratamento, que faça diferença no dia a dia dos pacientes portadores da doença de Parkinson”.
Sobre a ação da Cannabis nos sintomas da doença, a pesquisadora revela:
“A Cannabis é uma planta que pode ser essa chave que falta para que esses pacientes possam recuperar essa esperança por dias melhores, com menos rigidez, menos lentidão, tremor e possam ter um sono de qualidade, se livrar de tantas dores, desconforto, serem mais felizes e terem uma vida com qualidade”.
Ana conclui dizendo:
“Essa é a hipótese que nós estamos apostando, que a Cannabis irá trazer essa melhora tanto motora, quanto nos sintomas não motores, que igualmente afetam a vida dos pacientes com doença de Parkinson”.
O professor Rui Prediger é o coordenador responsável pelo estudo e quem vos escreve esse texto (Amanda) também faz parte do grupo de pesquisadores. 🙂
Os resultados dos estudos devem estar disponíveis a partir de 2025.
Considerações finais
Para quem busca o tratamento com a planta, o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado é necessário para melhor resultado.
Hoje se tem diversos profissionais que entendem da planta no país e podem indicar seu uso de forma legal.
A Cannabis ganha destaque pela segurança e relatos positivos de pacientes.
Apesar disso, mais estudos como o que está sendo realizado são necessários para aumentar o nível de comprovação científica sobre a planta.
E você, qual é sua opinião sobre o tratamento com a Cannabis? Você conhece alguém que faz o uso para tratar a doença de Parkinson? Tem alguma dúvida? Deixe seu comentário

Farmacêutica, neurocientista e antiproibicionista.
Mentranda em neurociências pela UFSC. Pesquisadora da Cannabis. Amante das plantas e da ciência. Acredito que a conhecimento é uma das formas para expansão da consciência e por isso luto para propagar ele.
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