No dia 8 de Março, dia das mulheres, apresentamos diversas mulheres canábicas de diferentes atuações e como pudemos ver, a mulherada domina a cena. Mas, será que os homens respeitam e reconhecem as minas? 

2024 e as minas ainda sofrem com os comportamentos machistas dos homens, desde numa roda de fumo a ambientes de trabalho. Você fuma igual a um homem. São frases que eu, Maíra Castanheiro, conhecida na cena canábica como mãeconheira, já ouvi várias vezes porque fumo muito e só bolo dedos de hulks. Sem falar em situações desagradáveis que passei com dealers que queriam me vender gato por lebre, só por eu ser mulher. 

Conversei com três manas, influencers, ativistas e profissionais da cena canábica e elas me compartilharam um pouco de suas experiências. 

Para começar, conversei com a ativista, influencer e criadora de conteúdo, Nahbrisa, primeira youtuber canábica do Brasil. Ela nos conta que na sua experiência com a cena canábica sempre teve que lidar com o machismo.  

Desde o começo tive a minha aparência questionada, né? Sendo mais o centro das atenções do que o meu conteúdo, então quando eu emagreço os comentários são: tá fumando pedra, emagreceu demais. Quando eu engordo, Ah tá laricando demais, fecha a boca, coisas que não acontecem com homem, né? Relata Nahbrisa. A criadora de conteúdo canábico ainda nos conta outras cenas pelas quais passou, como ter seu conhecimento sobre a planta questionado e também das diferenças de remuneração entre homens e mulheres, nada novo sob o sol, né? O mercado de trabalho é assim e não seria diferente no mercado canábico. Diz, Nahbrisa.

Recentemente, Nahbrisa numa collab com a marca de seda Bem Bolado, postou um Reels revelando as situações machistas que todas as mulheres enfrentam na cena canábica. Vários homens fizeram comentários machistas comprovando a tese da titia canábica de que os homens, mesmo no meio canábico, ainda não respeitam as minas e sequer percebem seus comportamentos machistas. 

A jornalista, Rafaela Rafagnin, comunicadora canábica, também nos revela que já sofreu machismo na cena canábica. Certa vez, foi para uma entrevista de emprego e na verdade era um jantar e ao questionar isso, foi acusada de ser imatura e egocêntrica. 
A farmacêutica alagoana, Letícia Ravelly, se especializou em Farmácia Canábica e seu sonho sempre foi trabalhar na área. Movida por este sonho, em 2020, ela deixou sua cidade natal e foi morar em João Pessoa, para trabalhar numa associação canábica.

Quando cheguei na associação, já era ativista e feminista, postava minha fotos pessoais no Instagram e falava sobre o uso da maconha medicinal. Conta Letícia, mas, seus chefes, logo questionaram seu feminismo e ativismo: diziam que eu não podia ser feminista, ativista e vulgar, pois o que os políticos iriam achar da associação se vissem a farmacêutica deles tirando foto de biquíni na praia? Ali dentro eu teria que parecer um anjo e não ser vulgar. Desabafa Letícia, que saiu da associação em 2020 e em 2023, na sua cidade natal, Alagoas, fundou a ONG Liamba que nasceu com o propósito feminista e antiproibicionista: é um espaço idealizado por ativistas, em sua maioria mulheres, que carregam o desejo de levar adiante o conhecimento ancestral sobre as plantas medicinais. Levar acesso ao tratamento e conhecimento de forma segura acerca da planta maconha.

Explica Letícia, que finalmente pôde realizar seu sonho de usar seu conhecimento farmacêutico sobre a planta e trabalhar com o que acredita. 

As mulheres seguem driblando o machismo e assumindo lideranças no mercado canábico, produzindo conteúdos de qualidades e se tornando referências. Elas não se intimidam e estão deixando seu legado forte. Certamente, as futuras gerações irão se beneficiar deste caminho que elas bravamente estão abrindo e construindo. 

As manas estão denunciando e quando uma mana denuncia, ela protege as outras manas, as redes estão sendo tecidas e fortalecidas e para além das denúncias, elas também anunciam: tirem seu machismo do caminho, que eu quero passar com a minha flor!