A Cannabis é uma das plantas mais antigas a serem cultivadas pelos seres humanos. De acordo com algumas análises, a Cannabis já estava presente na China há mais de 12.000 anos, no entanto, seu cultivo e consumo são extremamente restritos e regulamentados especificamente por cada país. 

Porém, com a liberação e regulamentação do cultivo em diversos países, muitos estudos científicos têm sido realizados. Na área de iluminação não é diferente, devido a constante e imparável evolução dos LEDs. Você sabia que o crescimento, a morfologia (formato que as plantas crescem) e o metabolismo das plantas podem ser manipulados alterando o espectro e a intensidade da luz? 

Abaixo podemos ver como a diferença de espectro pode afetar as plantas:

Quando falamos de espectro luminoso, nos referimos ao comprimento de onda. Trata-se do feixe de luz, e é o que faz ele aparecer azul, vermelho ou verde, por exemplo. Antigamente, quando os cultivos eram feitos com lâmpadas menos eficientes, como as fluorescentes ou as de sódio, os espectros disponíveis eram mais restritos. Isso, claro, se a gente não considerar a luz do sol.

Tudo o que sabíamos antigamente se resumia em:

Luz azul, 6500K, HQI para vega. Luz amarela, 2700K, HPS para a flora.

Pronto, resolvido. Já entendemos tudo, né?

Não é bem assim. Antes de entrarmos na teoria, vamos ver algumas imagens para ilustrar a diferença entre os espectros da luz solar, da HPS e da Quantum Board, que são nossos enfoques principais:

Pela imagens conseguimos ver o quão mais amplo é o espectro dos LEDs se comparado ao da HPS e o quanto ele se assemelha mais com a luz solar.

Graças aos avanços na tecnologia, as luzes de cultivo mais modernas podem criar praticamente qualquer espectro de luz. Sabemos também que esse espectro pode ser usado para otimizar a taxa de fotossíntese, o formato da planta e também melhorar o metabolismo secundário, no caso, os canabinóides. 

Qual é a diferença entre a intensidade luminosa e o espectro? Ambos importam?

Durante a fotossíntese, a planta utiliza a luz como fonte de energia para o seu metabolismo. De forma geral, para ela, tanto faz qual é o espectro luminoso desses fótons. Porém, o espectro luminoso afeta diversos estágios de desenvolvimento da planta, como expansão foliar, alongamento, abertura de estômatos e também a produção de substâncias secundárias (canabinóides, terpenos e etc). Diferentes espectros ativam diferentes pigmentos nas plantas, como fototropinas, criptocromos e fitocromos por causa de comprimentos de onda específicos mesmo em baixos níveis de intensidade.

Em suma, a intensidade luminosa é a chave para mais rendimento no cultivo.

Sendo assim, qual o melhor espectro para o cultivo de Cannabis indoor? 

Existem diversos estudos sobre espectro sendo realizados no momento. Alguns são recentes, então iremos analisar os mais importantes para o cultivo indoor.

Um estudo feito em 2020 trouxe resultados interessantes:

‘’Light matters: Effect of light spectra on cannabinoid profile and plant development of medical cannabis (Cannabis sativa L.)’’

  • O perfil de canabinóides foi afetado pelo espectro de luz. O Canabinóide primário e precursor da maioria dos outros canabinóides, o CBGA, demonstrou a maior resposta.
  • Houve uma maior acumulação de CBGA com uma iluminação mais rica em luz azul se comparado com as HPS (mais amarela).
  • Os principais canabinóides CBDA, THCA e CBCA também foram afetados pelo espectro luminoso, porém de forma menos perceptível e mais ligada com a genética da planta.
  • Em morfologia, um percentual maior de luz azul induziu o desenvolvimento de plantas mais compactas.
  • Apoiam a hipótese de que o espectro de luz influencia o desenvolvimento da planta e o perfil de canabinóides.

Abaixo, podemos ver a diferença entre os tipos de iluminação e a quantidade de canabinóides de cada planta e também a diferença em biomassa com os diferentes tratamentos:

Notem que os LEDs produzem uma maior quantidade de terpenos especialmente no THCA e em plantas balanceadas de THCA:CBDA.

Neste segundo gráfico não há tanta diferença entre biomassa entre os diferentes tratamentos, principalmente no rendimento de flores.

Já o estudo realizado na universidade de Utah, pelo Dr. Bruce Bugbee trouxe alguns resultados interessantes para a análise:

‘’Toward an optimal spectral quality for plant growth and development: The importance of radiation capture’’

  • Não houve diferença significativa entre os rendimentos de Cannabis com diferentes espectros.
  • Contrário ao estudo anterior, Bruce também notou que a fotossíntese geralmente aumenta com um aumento do espectro azul.

Conclusão

De acordo com o próprio Bruce Bugbee, um dos cientistas mais renomados da área, o que mais importa atualmente para ter um bom resultado é a eficiência dos painéis. 

“Falamos tanto de espectro e no fim isso não importa tanto assim?”

É isso mesmo. Os estudos são recentes e ainda existe muitas outras pesquisas sendo feitas. Ainda não compreendemos completamente os efeitos de diferentes espectros no crescimento, produção de metabólitos e no rendimento. O que sabemos até agora é que o rendimento depende da intensidade luminosa. 

Também descobrimos que um espectro “branco” completo (full-spectrum) influencia na produção de uma quantidade maior de alguns metabólitos, terpenos e canabinóides, mas ainda há muito o que se descobrir. Então, com o conhecimento que temos atualmente, devemos apostar na utilização de painéis de luz branca (o verdadeiro “fullspectrum”) e painéis mais eficientes, pois esses irão diminuir o custo do produto final e poupar dinheiro do cultivador.

Uma análise interessante realizada pela Cultlight, mostrou as vantagens econômicas de utilizarmos uma Quantum Board em vez de uma HPS. As HPS possuem um custo inicial muito baixo, porém, como são 55% menos eficientes, elas gastam muito mais energia para emitir a mesma quantidade de luz. Ou seja, uma quantum board de 240W emite a mesma quantidade de luz do que uma 400W de HPS e de acordo com a análise podemos ver que entre 12-18 meses esse gasto energético superior da HPS já seria suficiente para financiar um equipamento mais eficiente e que dura 5 anos.

Dessa forma, podemos concluir que ainda há muito a se descobrir no quesito de iluminação para o cultivo indoor de Cannabis, mas já conseguimos ver alguns dos benefícios de uma iluminação full spectrum e também já sabemos que o espectro pode e vai ser utilizado para ajustar a produção de canabinóides específicos e também para produzir Cannabis em larga escala.

Se você gostou do texto, quer aprender mais sobre iluminação ou procura equipamentos de qualidade para o seu cultivo, venha conhecer a gente! Sou o Cadu, sócio fundador da Cultlight, e te convido a acessar nosso site e nosso instagram. Somos apaixonados por cultivo, tecnologia e soluções inovadoras.