Quando se trata de cânhamo e cannabis, quem costuma roubar a cena são os canabinoides! Mas você sabia que há outro conjunto de compostos que merece sua atenção? Estamos falando dos flavonoides — os super-heróis sinérgicos da cannabis!

Os flavonóides têm benefícios incríveis e trabalham em conjunto com outros compostos da cannabis para maximizar sua experiência.

Quer saber mais sobre esses poderosos aliados? Prepare-se para descobrir o que são os flavonoides, seus benefícios e como eles podem aprimorar sua relação com a erva.

O que são flavonoides e por que são tão importantes para as plantas?

Os flavonoides são compostos secundários muito conhecidos por sua diversidade e coloração em plantas. A palavra flavonoide tem origem latina, “flavus”, que significa “loiro” ou “amarelo”, em referência a sua tonalidade mais comum.

É possível encontrar cerca de 8.000 variedades de flavonoides em quase todas as espécies de plantas, incluindo verduras, frutas e ervas. Até o momento, 20 deles foram identificados na planta de cannabis.

Os flavonoides são uma das famílias de nutrientes mais importantes no reino vegetal. Eles possuem valor nutricional e proporcionam benefícios para a saúde das plantas e dos seres humanos que as consomem, auxiliando no desenvolvimento de sementes e no processo de crescimento por meio de funções essenciais, como a progressão do ciclo celular.

Além de atuar como mecanismo de defesa para as plantas, protegendo-as contra danos ambientais causados por bactérias, fungos, insetos e raios ultravioleta, os flavonoides também são responsáveis pela aparência delas.

Eles contribuem para as diferenças de sabor, aroma e pigmentação, fornecendo a cada variedade de cannabis suas características únicas. #godbless

Comumente, creditamos os gostos e fragrâncias da cannabis aos terpenos.

Entretanto, os flavonóides também possuem um papel crucial em prover as características que utilizamos para distinguir as variedades da planta.

Os atributos de aroma e sabor na cannabis surgem graças às propriedades sinérgicas compartilhadas entre terpenos e flavonóides, influenciando também em sua coloração, assim como ocorre em outras espécies florais.

As cepas roxas que encontramos na cannabis (as famosas e amadas Purple Haze) existem graças aos flavonoides conhecidos como antoxantina ou antocianina.

Em outras plantas, como bagas, a antocianinas pode causar uma coloração vermelha, roxa e até azul dependendo dos níveis de PH.

Mas como os flavonoides da cannabis interagem no nosso corpo?

Desempenhando um papel crucial na forma como você percebe a planta com seus sentidos, devido ao pigmento e sabor que fornecem, os flavonóides, trabalhando com canabinóides e terpenos, interagem com os receptores químicos através do sistema endocanabinóide do seu corpo.

E, assim como esses outros dois compostos, os flavonóides podem atuar como anti-inflamatórios, antioxidantes e anti-bacterianos, ajudando a prevenir certas doenças.

Os flavonóides são ingredientes vitais no “efeito entourage”, que descreve como a interação de canabinóides, terpenos, flavonóides e outros compostos, se complementam através da troca com o sistema endocanabinóide do nosso corpo.

Como cada cepa tem uma combinação diferente desses compostos, você pode pensar no efeito entourage como a razão pela qual diferentes cepas produzem diferentes efeitos medicinais e psicoativos.

Existem variadas proporções destes compostos à base de ervas, em cada cepa única, o que desencadeia diferentes cascatas químicas no sistema nervoso. É por isso que algumas cepas são adequadas para controlar a dor, enquanto outras são melhores para produzir um efeito restaurador.

Flavonoides: Como sua origem moldou a natureza

Esses metabólitos secundários são produzidos pelas plantas através da fotossíntese, e sua presença é afetada por vários fatores ambientais, como clima, luz solar, temperatura e solo. Eles estão presentes em uma grande variedade de alimentos, incluindo frutas, vegetais, grãos, chás e cacau.

Mas o que são metabólitos?

Historicamente, a cannabis foi colhida em função dos benefícios atribuídos a seus canabinóides, mas na última década houve um aumento na pesquisa e interesse em outros compostos ativos, como ácidos graxos, terpenos, antioxidantes e flavonoides.

Muitos desses compostos são metabólitos produzidos como produto final do metabolismo. Metabólitos são pequenas moléculas que têm muitas funções, incluindo defesa, pigmentos, feromônios, odorantes e catalisadores para muitos processos biológicos.

Metabólitos primários estão envolvidos no crescimento, desenvolvimento e reprodução. Se um metabólito primário estiver ausente ou interrompido, o organismo pode se degradar ou morrer. Exemplos de metabólitos primários são aminoácidos, antioxidantes e vitaminas.


Os flavonóides são metabólitos compostos de compostos polifenólicos. Os grupos fenil são moléculas cíclicas (C 6 H 5 ) intimamente relacionadas ao benzeno

Os metabólitos secundários não estão diretamente envolvidos em processos críticos, mas têm funções secundárias. A ausência de um metabólito secundário não significa necessariamente a morte do organismo. Exemplos desses metabólitos secundários incluem compostos como terpenos e flavonoides.


Os flavonóides geralmente têm uma estrutura de 15 carbonos com dois anéis fenil e um
anel pirano heterocíclico

Os flavonóides compõem até 10% dos compostos presentes na cannabis e chegam a representar quase 3% do peso das folhas e brotos secos! A diversidade de flavonoides encontrados na erva varia de acordo com as cepas e a coloração das plantas.

Contudo, cerca de uma dúzia desses compostos básicos pode ser identificada na maioria das cepas de cannabis.

Além disso, estudos indicam que a cannabis produz seus próprios flavonoides exclusivos, como as cannaflavinas A, B e C. Em 1986, a pesquisadora Marilyn Barrett, da Universidade de Londres, foi a responsável pela descoberta da canaflavina A e B, enriquecendo ainda mais o conjunto de pesquisas envolvendo a erva.

Cannaflavinas: a chave para os benefícios terapêuticos da cannabis

As cannaflavinas A, B e C são flavonoides exclusivos da cannabis que têm despertado grande interesse na comunidade científica. Embora a descoberta desses compostos ocorreu na década de 1980, só recentemente suas propriedades terapêuticas são investigadas com mais profundidade.

Diferentemente de outros flavonoides encontrados na cannabis, as cannaflavinas não possuem ação psicoativa, o que significa que não causam efeitos colaterais indesejados.

Além disso, estudos indicam que esses compostos têm propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antioxidantes, o que os torna promissores para o tratamento de uma ampla variedade de condições físicas e psíquicas.

A cannaflavina A, por exemplo, tem se mostrado eficaz no combate à dor crônica, à inflamação e até mesmo na prevenção do câncer.

Já a cannaflavina B tem propriedades antivirais, o que sugere que pode ser útil no tratamento de infecções como a gripe e o herpes.

Por sua vez, a cannaflavina C tem ação neuroprotetora, o que significa que pode ajudar a prevenir doenças degenerativas como o Alzheimer.

Essas descobertas são promissoras e indicam que as cannaflavinas podem ser uma alternativa natural e segura aos medicamentos convencionais. Ainda há muito a se descobrir sobre esses compostos, mas é inegável que a cannabis possui um grande potencial terapêutico e que merece ser estudado.

Explorando o Potencial Curativo dos Flavonoides

Existem muitas espécies de plantas que contêm flavonoides, como maçãs, uvas, morangos, cerejas, mirtilos, framboesas, tomates, brócolis, cebolas, couve-flor, espinafre e feijão.

Ofertando muitos benefícios para a saúde, eles são antioxidantes poderosos, o que significa que ajudam a proteger as células do corpo contra danos causados pelos radicais livres, que podem levar ao envelhecimento e a doenças como câncer e problemas cardíacos.

Além disso, os flavonoides também têm propriedades anti-inflamatórias (lembram da cannaflavina A?) e podem ajudar a reduzir o risco de doenças crônicas, como diabete, doenças cardíacas e derrames.

Eles também podem melhorar a saúde cerebral, aumentando o fluxo sanguíneo para o cérebro e ajudando a melhorar a função cognitiva. Aí entra a ação da cannaflavina C! Eles também podem ajudar a reduzir o risco de depressão e ansiedade.

Outros fitonutrientes encontrados na cannabis

Antocianinas — Pigmentos que conferem cor azulada ou arroxeada aos alimentos. Por ser uma substância antioxidante, ajuda a combater o envelhecimento precoce, as doenças cardiovasculares e auxilia na redução dos níveis de colesterol do sangue.

Antoxantina – possuem poder antioxidantes, auxiliam na prevenção do câncer e reduzem o colesterol. São fontes de vitamina B6, cálcio, fósforo e potássio, importantes na formação óssea e no funcionamento do sistema nervoso.

Kaempferol — É um poderoso antioxidante também encontrado em vegetais e frutas. Ajuda a aumentar a defesa do corpo contra os radicais livres, promovendo benefícios contra o câncer.

Quercetina — É um flavonoide abundante encontrado em frutas cítricas, café, vinho tinto e cebola. É comprovado que sua ingestão reduz a inflamação e condições ligadas a muitos problemas de saúde, como doenças cardíacas e renais. Também possui propriedades antioxidantes.

Silimarina — Possui vários benefícios para a saúde, incluindo propriedades anti-inflamatórias, anticancerígenas e cardioprotetoras.

Em conclusão, os flavonoides da cannabis são antioxidantes, corantes e protetores das plantas. Uma verdadeira sinergia de benefícios! Esses compostos não são psicoativos, o que não proporciona aquela brisa rs.

Mas, podem desempenhar um papel nos efeitos de comitiva, onde os flavonoides presentes na cannabis atuam em uma ação sinérgica com outros compostos, como canabinóides e terpenos, para produzir propriedades antioxidantes, anti depressivas, anti inflamatórias e de combate a doenças.

Assim como no caso da importância dos terpenos na cannabis, a presença dos flavonoides precisará de muito mais investigação e testes para elucidar verdadeiramente os efeitos benéficos desses compostos para a nossa saúde e maior investimento em seus estudos.

Fontes: